(¯`·._.· HELOÍSA ·._.·´¯)

Suas vivências: coerências e incoerências... sua viagem no Tempo presente, atravessando as pontes do passado.

Conterá Poesia, Prosa Poética e uma abordagem simplificada as diversas formas de ARTE.

Minha finalidade é aproveitar este *ESPAÇO* privilegiado, como veículo de comunicação,
para fazer isso mesmo: *COMUNICAÇÃO* e inter-acção entre quem escreve e quem lê e... vê:*VISITANTES DESTE ESPAÇO*

*PERDOEM A AUSÊNCIA DE ACENTOS*

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Conversando com as Palavras
ASHERA Concurso de Poesia 2008

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(¯`·._) sexta-feira, fevereiro 20, 2004 (¯`·._)


***A FAMILIA***

*A AMIZADE NA FAMILIA E, A SOLIDAO*
--------------------------------------------------

Esta e' uma palavra que a TODOS diz respeito. Todos nos possuimos uma! Todos descendemos de uma!

A FAMILIA, tal como hoje a conhecemos, constitui-se de Pai, Mae, Filho(S). Mas, esta celula, por sua vez, ja' descende de OUTRA:_Pai + Mae=Filho(S):_Aparecem, entao, os AVOS_!

__A "ARVORE, COMECA A TOMAR FORMA_!

_Estes PAIS (agora Avos),tiveram por sua vez, naturalmente, Progenitores! E, estes Progenitores, tiveram provavelmente, mais do que um filho (mais que um filho da' origem aos IRMAOS!) _Eis-nos assim, chegados aos BISAVOS! E, Bisavos, pressupoe BISNETOS! _Que, poucos, nos dias de hoje, tem o privilegio de conhecer (TODOS OS BISAVOS (lado do Pai, Lado da Mae!)_... Bom, e neste andar para tras, no Tempo e na Historia, chegariamos aos Trisavos !E... por ai'... ate' se perder no fundo dos TEMPOS ,e, se perder a "Consaguinidade"!

_A partir dos IRMAOS, temos depois os Colaterais,e vamos assim obter uma infinidade de TIOS* (Parte do Pai, Parte da Mae:temos os primeiros e naturais TIOS/(AS) e, + os *Tios Avos* e, etc... etc....................
Que, evidentemente, darao origem aos SOBRINHOS!__Por fim, temos os PRIMOS, filhos da celula Familiar que cada um dos Tios ,formara' ou nao! Estes Primos, depois se-lo-ao em primeiro grau (la' para os meus lados, chamados de PRIMOS-IRMAOS!). Depois, temos os de segundo grau (filhos destes) os de terceiro e, por ai fora... ate', _parece-me nao tenho dado concretos,Cientificos_ (tenho de perguntar ao meu Amigo VITOR*, que, na certa, ELE, sabe todo o historial da FAMILIA desde *ADAO E EVA*!) _Como e' que eu, nao me lembrei de Lhe perguntar, antes de comecar aqui a "alinhavar" palavras, sobre o conceito de FAMILIA!??_... dizia eu, ate' ao quinto, ou setimo grau,; depois, perde-se a "consaguinidade"! (???)

__Ora bem! Tudo ISTO, todo este emaranhado, e' nada mais nada menos, que a nossa *ARVORE GENEALOGICA*_Ela, traz "Codigos", traz proveitos (beneficios e... por oposicao, tambem "prejuizos"!), traz Obrigacoes, e, traz "Devocoes"! E, quem tem numerosa Familia, pode considerar-se FELIZ (nem sempre!..)! Especialmente, se a Harmonia e a Tolerancia_numa palavra_ o AMOR/ AMIZADE_, presidir a estas Naturais e Priviligiadas Relacoes de Consanguinidde!

_A "face" oposta da "carta", nao e' tao risonha e optimista, como seria desejavel !E, pareceria condicao natural:_basta olhar os jornais e assistir as noticias dos diversos canais televisivos, onde se toma conhecimento das maiores atrocidades, que se cometem no seio familiar e, no "Sagrado Canto do LAR""_!

Mas, nao e' meu proposito, trazer aqui, esses casos "escabrosos", nem os menos "escabrosos", ou, os mais vulgares: de ciumezitos, invejazitas, e que tais imbecilidades ...de Almas "pequenininhas" e tacanhas!... Mas, sim, relacionar a Familia* com a AMIZADE e a SOLIDAO (ou, ausencia desta)!

__Um casal, com seus filhos_1, 2, 3 ou meia duzia_, antes do mais, e para alem do AMOR/ PAIXAO, necessitam, ser antes do mais, AMIGOS! _E, temos entao, a etapa seguinte, ou paralela: A AMIZADE, ou o trinomio AMOR/PAIXAO/AMIZADE _a Desejavel! A Suprema!...Mas, em 95% dos casos, a UTOPICA_!

__O AMOR/AMIZADE, resiste ao Tempo. Resiste as "Hecatombes" da Vida! E', quando temos os "TAIS" Casais*, que comemoram Bodas de Ouro, quando o CRIADOR* lhes alonga a permanencia, nest "Plano" (para citar meu Amigo VITOR*), neste "Vale de Lagrimas" e, ou, de Risos!
Mas, atencao:_eu refiro-me, as *Bodas de Prata e de Ouro*, e, em alguns casos,muito raros, de *Diamante*!..._mas, nao as do Calendario e da Sociedade (para "Ingles ver", como se diz na minha Terra!), mas sim, as BODAS DA VERDADE E, do REAL SENTIMENTO da FRATERNIDADE, da CUMPLICIDADE e INTER-AJUDA! Numa palavra:_AMOR/AMIZADE_algumas vezes, RARISSIMAS...:_***AMOR/PAIXAO/AMIZADE***!!
...................................

E, neste caso, nesta feliz situacao, os filhos, os netos, bisnetos, serao, por certo, Seres FELIZES, capazes de assimilarem e transmitirm *AMIZADE-FRATERNIDADE-SOLIDARIEDADE* e, fazer "Guerra" a SOLIDAO:_Aquela Solidao, que e' Ausencia de Corpos! Ausencia de Filhos! Ausencia de Pais! Ausencia de OMBRO! Ausencia de OUVIDOS! Ausencia de OLHOS e...de MAOS!!!.....................

E...OS VELHOS!?, OS DOENTES!?... Aqueles, que se vem privados dos membros da Sua Familia(Passada ou Presente), que se vem depositados em Hospitais, ou Lares (Casas e Repouso (??)) e, abandonados ao seu destino ...a sua "MA SORTE" (ou SINA)!...Tem ,necessariamente, de MORRER DE SOLIDAO__+A "TAL" QUE MATA+__!!..............

E, os "NAO VELHOS", NAO DOENTES, mas... que, por qualquer adversidade (culpa propria ou alheia), se vem tambem, privados desse Aconchego*, desse Carinho*, desse Bem*... que e' ter Pai, ter Mae, ter Avos, ter Tios, ter Primos....especialmente, quando este **TER-POSSUIR**, e' sinonimo de AFECTO :_de *AMOR/AMIZADE*_! Estes*, que nao possuem tal Realidade, tal Verdade Familiar e Afectiva,* necessariamente,* ESTES*, Sofrem de *SOLIDAO* misturada de profunda *REVOLTA* que os leva tantas e, tantas vezes, a seguir caminhos SEM VOLTA! E, quando isso nao acontece, por serem mais moderados, ou.. Bem Formados e, gerirem melhor essa Solidao, que resulta em Sofrimento *DOR* da Alma(DOR do Corpo... tantas vezes!) Que, pode ,*ELA*, significar Apatia, Desinteresse e..DESAMOR _POR INCAPACIDADE DE AMAR_!!!.................
...Em algumas situacoes mais Felizes, *ELA, a Solidao*, e' aproveitada;_tem uma "mais valia"! E, e' investida em *ARTE*_nas mais diversas formas: Poesia a Escultura! Ou, em DADIVA a Terceiros (sendo Missionarios, nas mais diversa MISSOES):_ na saude, na Educacao-Formacao e Cultura, bem como, no Lazer_!.......................
...................................................
__VOU, ENTAO, E NESTA SEQUENCIA, TRAZER-VOS, ALGUNS *POETAS* (seus POEMAS), que "Cantam" SOLIDAO, que sofreram (sofrem) SOLIDAO!...Nos seus mais diversos "Cambiantes"! _Mas, SENTEM, ao fundo do TUNEL... no mais Profundo de seus Espiritos, Suas ALMAS...tambem, A ESPERANCA*! A LUZ DA FE'**! PRELUDIO DO AMOR, de um grande AMOR*** que sentem pelo seu Semelhante (menos SEMELHANTE...), pela *MAE NATUREZA,* __PELA *VIDA*__!!!


--------*****-------


Porem, antes, de VOS deixar com alguns POETAS e SUA *DOR*... vou ,mais uma vez, socorrer-me do Dicionario ,para definir FAMILIA, Familiar, Familiaridade!
E..por fim, desejar a **TODOS VOS** Leitores e Amigos Queridos* que, se ,sofrerem de SOLIDAO, seja da BENIGNA_aquela que leva a *CRIACAO, que impele a *CRIATIVIDADE* e, OU, a SOLIDARIEDADE*, pela Entrega aos OUTROS*,Aqueles que Sofrem da MALIGNA SOLIDAO!....Minimizando-Lhes os Sofrimentos_DO CORPO E DA ALMA (quase sempre de dificil Cura, senao mesmo...INCURAVEL!)_!.........

__Para TODOS o meu Abraco Amigo__!

Contudo, me perdoem, mas... estes TEMAS, nao se esgotam aqui!_ Eu abordo-os, de uma forma "superficial", sem Analise! porque, Essa Analise, eu deixo para quem de Direito: Especialistas na Materia, EX:_ Psicologos, Sociologos, Psicanalistas e demais "OLOGOS" ou... "ISTAS"!!!!.........................

(RENOVO O CONVITE, A SEMELHANCA DOS ANTERIORES:_ QUEM DESEJAR EXPRESSAR-SE SOBRE ESTES TEMAS (SENTIMENTOS, EMOCOES, etc...) QUE ME ESCREVA _E-mail_ ou, "Comente" no espaco adequado! _Os mais pertinentes ou curiosos, Publicarei, neste meu modesto cantinho!).

~~~~~~~~~~~~~~

FAMILIA:_ 1.conjunto de pessoas aparentadas que vivem em comum sob o mesmo tecto; agregado familiar; 2.grupo de linhagem; estirpe; 3. raca;4. conjunto de pessoas do mesmo sangue ou parentes por alianca; 5. grupo de pessoas unidas pelo vinculo do casamento, afinidade ou adopcao; 6. grupo de pessoas com origem, ocupacao, ou caracteristicas em comum. e...etc...etc..que e' longo! Mas, aqui, esta' o essencial1

FAMILIAR:_1. que e' da familia; 2. caseiro; domestico; 3. habitual; comum; 4. que e' conhecido; 5. simples; 6. informal (isto nos adjectivos)
Agora temos os Substantivos (ou Nomes)_1. pessoa da familia; 2. AMIGO INTIMO 3. (raramente usado) criado (???) __POIS E' _CRIDADO! _FAMILIAR! _DE FACTO, ESTA' EM "DESUSO"!_. E, etc...

FAMILIARIDADE:_1. qualidade do que e' familiar; 2. intimidade; 3. confianca; 4. franqueza; 5. informalidade; ausencia de cerimonias; 6. convivencia. e... ficamos por aqui!

__OBRIGADA PELA PACIENCIA__
VOSSA:_HELOISA.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


**AGORA VAMOS A POESIA**
______________________________
*******************************


***FERNANDO PESSOA***
************************

***Poesias de
Alvaro de Campos***
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
--------------------------------------

(EXCERTO, DESTE POEMA)


PASSAGEM DAS HORAS
___________________________


Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coracao os lencos de todas as despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
E todos os pederastas - absolutamente todos (nao faltou nenhum).
Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!

(Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louro, branco e eu amava-te,
Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!)
Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver,
Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas familias felizes,
Viveram em ti os meus olhos e o meu braco cingido e a minha consci?ncia incerta,
A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim,
Os seus half-holidays inesperados...
Mary, eu sou infeliz...
Freddie, eu sou infeliz...
Oh, vos todos, todos vos, casuais, demorados,
Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim, sem que o fosseis,
Ah, que o pouco eu fui no que sois, que o pouco, que o pouco ?
Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjetivo universo,
O meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
A parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!

Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro,
E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim ...
Meu coracao tribunal, meu coracao mercado,
Meu coracao sala da Bolsa, meu coracao balcao de Banco,
Meu coracao rendez-vous de toda a humanidade,
Meu coracao banco de jardim publico, hospedaria,
Estalagem, calabouco numero qualquer cousa
(Aqui estuvo el Manolo en vesperas de ir al patibulo)
Meu coracao clube, sala, plateia, capacho, guichet, portal?,
Ponte, cancela, excursao, marcha, viagem, leilao, feira, arraial,
Meu coracao postigo,
Meu coracao encomenda,
Meu coracao carta, bagagem, satisfacao, entrega,
Meu coracao a margem, o lirrite, a sumula, o indice,
Eh-la', eh-la', eh-la', bazar o meu coracao.

Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braco, todos os velhos e os doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.

(Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu nao tenho,
Em cujo baixar-de-olhos ha' uma paisagem da Holanda,
Com as cabecas femininas coiffaes de lin
E todo o esforco quotidiano de um povo pacifico e limpo...
Aquela que e o anel deixado em cima da comoda,
E a fita entalada com o fechar da gaveta,
Fita cor-de-rosa, nao gosto da cor mas da fita entalada,
Assim como nao gosto da vida, mas gosto de senti-la ...

Dormir como um cao corrido no caminho, ao sol,
Definitivamente para todo o resto do Universo,
E que os carros me passem por cima.)

Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas as emocoes,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensacoes,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mao em mao com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angustia da forja das emocoes!
Raiva, espuma, a imensidao que nao cabe no meu lenco,
A cadela a uivar de noite,
O tanque da quinta a passear a roda da minha insonia,
O bosque como foi a tarde, quando la passeamos, a rosa,
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,
Toda a raiva de nao conter isto tudo, de nao deter isto tudo,
A fome abstrata das coisas, cio impotente dos momentos,
Orgia intelectual de sentir a vida!

Obter tudo por suficiencia divina e
As vesperas, os consentimentos, os avisos,
As cousas belas da vida e
O talento, a virtude, a impunidade,
A tendencia para acompanhar os outros a casa,
A situacao de passageiro,
A conveniencia em embarcar ja' para ter lugar,
E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, urna frase,
E a vida dai quanto mais se goza e quanto mais se inventa.

Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido so' por sentir,
Absolutamente roto por me rolar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois deem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida.

Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opinioes,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si proprio pela plena liberalidade de esp?rito,
E amar as coisas como Deus.

Eu, que sou mais irmao de uma arvore que de um operario,
Eu, que sinto mais a dor suposta do mar ao bater na praia
Que a dor real das criancas em quem batem
(Ah, como isto deve ser falso, pobres criancas em quem batem ?
E por que o que as minhas sensacoes se revezam tao depressa?)
Eu, enfim, que sou um dialogo continuo,
Um falar-alto incompreensivel, alta-noite na torre,
Quando os sinos oscilam vagamente sem que mao lhes toque
E faz pena saber que ha' vida que viver amanha.
Eu, enfim, literalmente eu,
E eu metaforicamente tambem,
Eu, o poeta sensacionista, enviado do Acaso
As leis irrepreensiveis da Vida,
Eu, o fumador de cigarros por profissao adequada,
O individuo que fuma opio, que toma absinto, mas que, enfim,
Prefere pensar em fumar opio a fuma'-lo
E acha mais seu olhar para o absinto a beber que bebe-lo...
Eu, este degenerado superior sem arquivos na alma,
Sem personalidade com valor declarado,
Eu, o investigador solene das coisas futeis,
Que era capaz de ir viver na Siberia so' por embirrar com isso,
E que acho que nao faz mal nao ligar importaricia a patria
Porqtie nao tenho raiz, como uma arvore, e portanto nao tenho raiz
Eu, que tantas vezes me sinto tao real como uma metafora,

Como uma frase escrita por um doente no livro da rapariga que encontrou no terraco,
Ou uma partida de xadrez no conves dum transatlantico,
Eu, a ama que empurra os perambulators em todos os jardins publicos,
Eu, o policia que a olha, parado para tras na alea,
Eu, a crianca no carro, que acena a sua inconsciencia lucida com um coral com guizos.
Eu, a paisagem por detras disto tudo, a paz citadina
Coada atraves das arvores do jardim publico,
Eu, o que os espera a todos em casa,
Eu, o que eles encontram na rua,
Eu, o que eles nao sabem de si proprios,
Eu, aquela coisa em que estas pensando e te marca esse sorriso,
Eu, o contraditorio, o ficticio, o aranzel, a espuma,
O cartaz posto agora, as ancas da francesa, o olhar do padre,
O largo onde se encontram as suas ruas e os chauffeurs dormem contra os carros,
A cicatriz do sargento mal encarado,
O sebo na gola do explicador doente que volta para casa,
A chavena que era por onde o pequenito que morreu bebia sempre,
E tem uma falha na asa (e tudo isto cabe num coracao de mae e enche-o)...
Eu, o ditado de frances da pequenita que mexe nas ligas,
Eu, os pes que se tocam por baixo do bridge sob o lustre,
Eu, a carta escondida, o calor do lenco, a sacada com a janela entreaberta,
O portao de servico onde a criada fala com os desejos do primo,
O sacana do Jos? que prometeu vir e nao veio
E a gente tinha uma partida para lhe fazer...
Eu, tudo isto, e alem disto o resto do mundo...
Tanta coisa, as portas que se abrem, e a razao por que elas se abrem,
E as coisas que ja' fizeram as maos que abrem as portas...
Eu, a infelicidade-nata de todas as expressoes,
A impossibilidade de exprimir todos os sentimentos,
Sem que haja uma lapida no cemiterio para o irmao de tudo isto,
E o que parece nao querer dizer nada sempre quer dizer qualquer cousa...

Sim, eu, o engenheiro naval que sou supersticioso como uma camponesa madrinha,
E uso monoculo para nao parecer igual a ideia real que faco de mim,
Que levo as vezes tres horas a vestir-me e nem por isso acho isso natural,
Mas acho-o metafisico e se me batem a porta zango-me,
Nao tanto por me interromperem a gravata como por ficar sabendo que ha' a vida...
Sim, enfim, eu o destinatario das cartas lacradas,
O bar das iniciais gastas,
A entonacao das vozes que nunca ouviremos mais -
Deus guarda isso tudo no Misterio, e as vezes sentimo-lo
E a vida pesa de repente e faz muito frio mais perto que o corpo.
A Brigida prima da minha tia,
O general em que elas falavam - general quando elas eram pequenas,
E a vida era guerra civil a todas as esquinas...
Vive le melodrame ou Margot a pleur?!
Caem as folhas secas no chao irregularmente,
Mas o fato e' que sempre e' outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
ha' so' um caminho para a vida, que e' a vida...

Esse velho insignificante, mas que ainda conheceu os romanticos,
Esse opusculo politico do tempo das revocoes constitucionais,
E a dor que tudo isso deixa, sem que se saiba a razao
Nem haja para chorar tudo mais razao que senti-lo.

Viro todos os dias todas as esquinas de todas as ruas,
E sempre que estou pensando numa coisa, estou pensando noutra.
Nao me subordino senao por atavisnio,
E ha' sempre razoes para emigrar para quem nao esta' de cama.

Das serrasses de todos os caf?s de todas as cidades
Acessiveis a imaginacao
Reparo para a vida que passa, sigo-a sem me mexer,
Pertenco-lhe sem tirar um gesto da algibeira,
Nem tomar nota do que vi para depois fingir que o vi.

No automovel amarelo a mulher definitiva de alguem passa,
Vou ao lado dela sem ela saber.
No trottoir imediato eles encontram-se por um acaso combinado,
Mas antes de o encontro deles la' estar ja' eu estava com eles la'.
Nao ha' maneira de se esquivarem a encontrar-me,
Nao ha' modo de eu nao estar em toda a parte.
O meu privilegio e' tudo
(Brevetie, Sans Garantie de Dieu, a minh'Alma).

Assisto a tudo e definitivamente.
Nao ha' joia para mulher que nao seja comprada por mim e para mim,
Nao ha' intencao de estar esperando que nao seja minha de qualquer maneira,
Nao ha' resultado de conversa que nao seja meu por acaso,
Nao ha' toque de sino em Lisboa ha' trinta anos, noite de S. Carlos ha' cinquenta
Que nao seja para mim por uma galantaria deposta.

Fui educado pela Imaginacao,
Viajei pela mao dela sempre,
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,
E todos os dias tem essa janela por diante,
E todas as horas parecem minhas dessa maneira.

Cavalgada explosiva, explodida, como uma bomba que rebenta,
Cavalgada rebentando para todos os lados ao mesmo tempo,
Cavalgada por cima do espaco, salto por cima do tempo,
Galga, cavalo electron-ion, sistema solar resumido
Por dentro da aelo dos smbolos, por fora do giro dos volantes.
Dentro dos simbolos, tornado velocidade abstrata e louca,
Ajo a ferro e velocidade, vaivem, loucura, raiva contida,
Atado ao rasto de todos os volantes giro assombrosas horas,
E todo o universo range, estraleja e estropia-se em mim.

Ho-ho-ho-ho-ho!...
Cada vez mais depressa, cada vez mais com o esp?rito adiante do corpo
Adiante da propria ideia veloz do corpo projetado,
Com o espirito atras adiante do corpo, sombra, chispa,
He-la-ho-ho ... Helahoho ...

Toda a energia e' a mesma e toda a natureza e' o mesmo...
A seiva da seiva das arvores e' a mesma energia que mexe
As rodas da locomotiva, as rodas do eletrico, os volantes dos Diesel,
E um carro puxado a mulas ou a gasolina e' puxado pela mesma coisa.

Raiva panteista de sentir em mim formidandamente,
Com todos os meus sentidos em ebulicao, com todos os meus poros em fumo,
Que tudo e' uma so' velocidade, uma so' energia, uma so' divina linha
De si para si, parada a ciciar violencias de velocidade louca...
Ho ----

Ave, salve, viva a unidade veloz de tudo!
Ave, salve, viva a igualdade de tudo em seta!
Ave, salve, viva a grande maquina universo!
Ave, que sois o mesmo, arvores, maquinas, leis!
Ave, que sois o mesmo, vermes, embolos, ideias abstratas,
A mesma seiva vos enche, a mesma seiva vos torna,
A mesma coisa sois, e o resto e' por fora e falso,
O resto, o estatico resto que fica nos olhos que param,
Mas nao nos meus nervos motor de explosao a oleos pesados ou leves,
Nao nos meus nervos todas as maquinas, todos os sistemas de engrenagem,
Nos meus nervos locomotiva, carro eletrico, automovel, debulhadora a vapor

Nos meus nervos maquina maritima, Diesel, semi-Diesel,
Campbell, Nos meus nervos instalacao absoluta a vapor, a gas, a oleo e a eletricidade,
Maquina universal movida por correias de todos os momentos!

Todas as madrugadas sao a madrugada e a vida.
Todas as auroras raiam no mesmo lugar:
Infinito...
Todas as alegrias de ave vem da mesma garganta,
Todos os estremecimentos de folhas sao da mesma arvore,
E todos os que se levantam cedo para ir trabalhar
Vao da mesma casa para a mesma fabrica por o mesmo caminho...

Rola, bola grande, formigueiro de consci?ncias, terra,
Rola, auroreada, entardecida, a prumo sob sois, noturna,
Rola no espaco abstrato, na noite mal iluminada realmente
Rola ...

Sinto na minha cabeca a velocidade de giro da terra,
E todos os paises e todas as pessoas giram dentro de mim,
Centrifuga ansia, raiva de ir por os ares ate' aos astros
Bate pancadas de encontro ao interior do meu cranio,
Poe-me alfinetes vendados por toda a consciencia do meu corpo,
Faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato,
Para inencontravel, Ali sem restricoes nenhumas,
A Meta invisivel e' todos os pontos onde eu nao estou a e ao mesmo tempo ...

Ah, nao estar parado nem a andar,
Nao estar deitado nem de pe',
Nem acordado nem a dormir,
Nem aqui nem noutro ponto qualquer,
Resol,,,er a equacao desta inquietacao prolixa,
Saber onde estar para poder estar em toda a parte,
Saber onde deitar-me para estar passeando por todas as ruas ...

Ho-ho-ho-ho-ho-ho-ho

Cavalgada alada de mim por cima de todas as coisas,
Cavalgada estalada de mim por baixo de todas as coisas,
Cavalgada alada e estalada de mim por causa de todas as coisas ...

Hup-la por cima das arvores, hup-la por baixo dos tanques,
Hup-la contra as paredes, hup-la raspando nos troncos,
Hup-la no ar, hup-la no vento, hup-la, hup-la nas praias,
Numa velocidade crescente, insistente, violenta,
Hup-la hup-la hup-la hup-la ...

Cavalgada panteista de mim por dentro de todas as coisas,
Cavalgada energetica por dentro de todas as energias,
Cavalgada de mim por dentro do carvao que se queima, da lampada que arde,
Clarim claro da manha ao fundo
Do semicirculo frio do horizonte,
Tenue clarim longinquo como bandeiras incertas
Desfraldadas para alem de onde as cores sao visiveis ...

Clarim tremulo, poeira parada, onde a noite cessa,
Poeira de ouro parada no fundo da visibilidade ...

Carro que chia limpidamente, vapor que apita,
Guindaste que comeca a girar no meu ouvido,
Tosse seca, nova do que sai de casa,
Leve arrepio matutino na alegria de viver,
Gargalhada subita velada pela bruma exterior nao sei como,
Costureira fadada para pior que a manha que sente,
Operario tisico desfeito para feliz nesta hora
Inevitavelmente vital,
Em que o relevo das coisas e' suave, certo e simpatico,
Em que os muros sao frescos ao contacto da mao, e as casas
Abrem aqui; e ali os olhos cortinados a branco...

Toda a madrugada e' uma colina que oscila,
...................................................................
... e caminha tudo

Para a hora cheia de luz em que as lojas baixam as palpebras
E rumor trafego carroca comboio eu sinto sol estruge

Vertigem do meio-dia emoldurada a vertigens e'
Sol dos vertices e nos... da minha visao estriada,
Do rodopio parado da minha retentiva seca,
Do abrumado clarao fixo da minha consciencia de viver.

Rumor trafego carroca comboio carros eu sinto sol rua,
Aros caixotes trolley loja rua i,itrines saia olhos
Rapidamente calhas carrocas caixotes rua atravessar rua
Passeio lojistas "perdao" rua
Rua a passear por mim a passear pela rua por mim
Tudo espelhos as lojas de ca' dentro das lojas de la'
A velocidade dos carros ao contrario nos espelhos obliquos das montras,
O chao no ar o sol por baixo dos pes rua regas flores no cesto rua
O meu passado rua estremece camion rua nao me recordo rua

Eu de cabeca pra baixo no centro da minha consciencia de mim
Rua sem poder encontrar uma sensacao so' de cada vez rua
Rua pra tras e pra diante debaixo dos meus pes
Rua em X em Y em Z por dentro dos meus bracos
Rua pelo meu monoculo em circulos de cinematografo pequeno,
Caleidoscopio em curvas iriadas nitidas rua.
Bebedeira da rua e de sentir ver ouvir tudo ao mesmo tempo.
Bater das fontes de estar vindo para ca' ao mesmo tempo que vou para la'.
Comboio parte-te de encontro ao resguardo da linha de desvio!
Vapor navega direito ao cais e racha-te contra ele!
Automovel guiado pela loucura de todo o universo precipita-te
Por todos os precipicios abaixo
E choca-te, trz!, esfrangalha-te no fundo do meu coracao!

E moi, todos os objetos projeteis!
E moi, todos os objetos directes!
E moi, todos os objetos invisiveis de velozes!
Batam-me, trespassem-me, ultrapassem-me!
Sou eu que me bato, que me trespasso, que me ultrapasso!
A raiva de todos os impetos fecha em circulo-mim!

Hela-hoho comboio, automovel, aeroplano minhas ansias,
Velocidade entra por todas as ideias dentro,
Choca de encontro a todos os sonhos e parte-os,
Chamusca todos os ideais humanitarios e uteis,
Atropela todos os sentimentos normais, decentes, concordantes,
Colhe no giro do teu volante vertiginoso e pesado
Os corpos de todas as filosofias, os tropos de todos os poemas,
Esfrangalha-os e fica so' tu, volante abstrato nos ares,
Senhor supremo da hora europeia, metalico a cio.
Vamos, que a cavalgada nao tenha fim nem em Deus!
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Doi-me a imaginacao nao sei como, mas e' ela que doi,
Declina dentro de mim o sol no alto do ceu.
Comeca a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
Vamos a cavalgada, quem mais me consegues tornar?
Eu que, veloz, voraz, comilao da energia abstrata,
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
Eu, que so' me contentaria com calcar o universo aos pes,
Calcar, calcar, calcar ate' nao sentir.
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.

Cavalgada desmantelada por cima de todos os cimos,
Cavalgada desarticulada por baixo de todos os poros,
Cavalgada voo, cavalgada seta, cavalgada pensamento-relampago,
Cavalgada eu, cavalgada eu, cavalgada o universo e eu.
Helahoho-o-o-o-o-o-o-o ...

Meu ser elastico, mola, agulha, trepidacao ...


Alvaro de Campos, 22-5-1916
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(COMENTARIOS!?...PARA QUE???)

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***Poemas de
Alberto Caeiro***
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Pouco me importa.
Pouco me importa o que? Nao sei: pouco me importa.

Alberto Caeiro, 24-10-1917
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E...
MAIS ESTE! (Se eu pudesse... transcrevia-os TODOS!).
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----***---

Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que tem os meus versos em letra impressa,
Peco que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que nao se ralem.
Se assim aconteceu, assim esta' certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles la' terao a sua beleza, se forem belos.
Mas eles nao podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raizes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e a vista.
Tem que ser assim por forca. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oicam isto:
Nunca fui senao uma crianca que brincava.
Fui gentio como o sol e a agua,
De uma religiao universal que so' os homens nao tem.
Fui feliz porque nao pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicacao
Que a palavra explicacao nao ter sentido nenhum.


Nao desejei senao estar ao sol ou a chuva -
Ao sol quando havia sol
E a chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E nao ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas nao fui amado.
Nao fui amado pela unica grande razao -
Porque nao tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, nao sao tao verdes para os que sao amados
Como para os que o nao sao.
Sentir e' estar distraido.


Alberto Caeiro, 7-11-1915
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E..."SENTIR E' ESTAR DISTRAIDO".

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POREM... DISTRAIR A DOR*
QUANDO A PALAVRA E' AMOR!(?)...

DISTRAIR O VENTO*
QUANDO A PALAVRA E' SOFRIMENTO!...

DISTRAIR A CHUVA*
QUANDO A PALAVRA E' ANGUSTIA!...

DISTRAIR A EMOCAO*
QUANDO A PALAVRA E' SOLIDAO!

E', COMO DISTRAIR A VIDA*
QUANDO A PALAVRA E' MORTE*...SEM *ELA*
SER CUMPRIDA*!!!
################################HELOISA.
EM 20/02/04: Londres (7:10PM).
****************************
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


***FLORBELA ESPANCA***
************************


***POBRE DE CRISTO***
_______________________
*************************

O' minha terra na planicie rasa,
Branca de sol e cal e de luar,
Minha terra que nunca viste o mar,
Onde tenho o meu pao e a minha casa.


Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folhas... a dormitar...
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra moirisca a arder em brasa!


Minha terra onde meu irmao nasceu
Aonde a mae que eu tive e que morreu
Foi moca e loira, amou e foi amada!


Truz... Truz... Truz...__Eu nao tenho onde
[ me acoite,
Sou um pobre de longe, e' quase noite,
Terra, quero dormir, da'-me pousada!...

____________________________________
~~~~~~LIVRO DA~~~~~~~~~~~~~~~~~
***CHARNECA EM FLOR***_1930_.
*************************************

------------------------ANGUSTIA E SOLIDAO!----
( Ausencia de FAMILIA! Ausencia de AFECTO!).
---------------------------------------------------------------_H._
____________________________________________________

***EM VAO***
__________________________
**************************

Passo triste na vida e triste sou,
Um pobre a quem jamais quiseram bem!
Um caminhante exausto que passou,
Que nao diz onde vai nem donde vem.


Ah! Sem piedade, a rir, tanto desdem
a flor da minha boca desdenhou!
Solitario convento onde ninguem
A silenciosa cela procurou!


E eu quero bem a toda a gente...
Ando a amar assim, perdidamente,
A acalentar o mundo nos meus bracos!


E tem passado, em vao, a mocidade
Sem que no meu caminho uma saudade
Abra em flores a sombra dos meus passos!


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~DE *RELIQUIAE*~~
VERSOS POSTUMOS
PUBLICADOS PELA PRIMEIRA VEZ CO A 2. EDICAO de
*CHARNECA EM FLOR*
EM 1931.
***************************************




***JOSE REGIO***
_______________________

Nasce em Vila do Conde _Portugal_, em 1901.
Seu nome completo: Jose' Maria dos Reis Pereira Regio.

Faz os estudos Liceais no Porto e aos 18 anos vai para Coimbra, onde se Licenciara' em *Filologia Romanica*.

Comeca, depois, por leccionar no Porto. Mas, em seguida, instala-se em PORTALEGRE (ALTO ALENTEJO), onde permanece por mais de 30 anos.

Regressa a Sua Terra Natal em 1967 e, vem a falecer, dois anos mais tarde ,em 1969.

A SUA OBRA e' vasta e diversificada!_Oportunamente, falarei mais DELE e SUA OBRA, dado que, e' tambem, um dos meus Autores Favoritos e, a que me ligam, outro tipo de sentimentos! Porque, nao sendo Ele um Alentejano, por nascimento, O e', por Coracao!

ELE, faz um excelente estudo critico sobre a Obra de Florbela Espanca:_ como todos sabemos, uma *Linda e Inspirada Alentejana*, do Distrito de Evora _Vila Vicosa_ e, Jose' Regio, vive e ama, o meu Distrito _Portalegre_! Dai', a minha afectividade, para alem,da admiracao pelo GRANDE HOMEM DAS LETRAS QUE ELE FOI (E'!)!....................

__FIQUEMOS, para abrir o "Apetite" com:


***CANTICO NEGRO***
*************************************

.............................................................



"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,

Estendendo-me os bracos, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho os com olhos lassos,

(Ha' nos meus olhos ironias e cansacos)

E cruzo os bracos,

E nunca vou por ali...



A minha gloria e' esta:

Criar desumanidade!

Nao acompanhar ninguem.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre a minha Mae.



Nao, nao vou por ai'! So' vou por onde

Me levam meus proprios passos...



Se ao que busco saber nenhum de vos responde,

Porque me repetis: "Vem por aqui"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pes sangrentos,

A ir por ai'...



Se vim ao mundo, foi

So' para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus proprios pes na areia inexplorada!

O mais que faco nao vale nada.



Como, pois, sereis vos

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstaculos?

Corre nas vossas veias sangue velho dos avos.

E vos amais o que e' facil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes patrias, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filosofos, e sabios.

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e canticos nos labios...



Deus e o Diabo ? que me guiam, mais ninguem.

Todos tiveram pai, todos tiveram mae;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que ha' entre Deus e o Diabo.



Ah, que ninguem me de piedosas intencoes!

Ninguem me peca definicoes!

Ninguem me diga: "vem por aqui"!

A minha vida e' um vendaval que se soltou.

E' uma onda que se alevantou.

E' um atomo a mais que se animou...

Nao sei por onde vou,

Nao sei para onde vou,

- Sei que nao vou por ai'?!

***************************
*******************************"SEI QUE NAO VOU POR AI'!***
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(E, HA' COMENTARIO POSSIVEL!??_NAO TENHO!
SO' TENHO LAGRIMAS! PRESAS NA GARGANTA...
ARDENDO NOS MEUS OLHOS!)~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~MINHA HUMILDE HOMENAGEM POETICA!
____________________________________________________________




~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* UM POUCO DE MIM*
_____________________________
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


***SEI QUE NAO VOU POR AI'***
_________________________________


Quantas vezes, atraves dos meus dias
(longos dias...)
Nao repeti
Nao escrevi
Esta mesma frase:
_Em forma de frase
Em jeito de verso_!

Quantas vezes, com este sentido
Ou, com sentido diverso,
Eu, nao gritei(na VOZ)
Eu, nao gritei(na ALMA):

__NAO SEI QUEM SOU!
__NAO SEI PARA ONDE VOU!
__NAO SEI POR ONDE VOU....
...MAS, SEI QUE NAO VOU POR AI'!__...

__Aqui estou,
Anos volvidos
Dias e dias esquecidos
_de nao vividos_...
Sentindo
Gritando
(BERRANDO!)
Escrevendo
Reescrevendo
As mesmas PALAVRAS
As mesmas FRASES
Os mesmos Versos...

_COM ESTE SENTIDO
OU...COM SENTIDO DIVERSO_!(?)........
.................................................

Mas...o mesmo Grito
A mesma Dor
A mesma sensacao de DESAMOR!

O mesmo rumo Perdido
O mesmo rumo (des)Encontrado
O mesmo sinal de Alarme
O mesmo DESCALABRO!

...E...ME, DIGO E REPITO
EM GRITO MUDO
DESPIDO DE SENTIDO:

__NAO SEI QUEM SOU!
__NAO SEI ONDE ESTOU!
__NAO SEI PARA ONDE VOU!
NAO SEI POR ONDE VOU...
MAS, SEI, DE CERTEZA "CERTA", QUE NAO VOU POR AI'*!!!
..................................................................................

E...e' nesta sensacao de Bussula Perdida
De "Estrela Polar" (Estrela do Norte) Escondida
P'las cinzentas_violaceas,
Nuvens
Dos Ceus do Infinito...
Que estrangulo
Na garganta o meu Grito:

__NAO VOU POR AI'!

__QUERO IR POR AQUI!

__QUERO IR POR ALI...
QUERO, IR, PARA AI'*__!


Porem, quero, todos os Pontos Cardeais
Nao assinalados, em Mapas Reais...

E, QUERO IR PELA TUA MAO
QUERO QUE ME CHAMES! ME LEVES!
ME ABRACES!
ME APERTES!
_BEM ANINHADA_, BEM JUNTO AO TEU CORACAO!!...

__QUERO OUVIR O SOM*
QUE QUEBRE O SILENCIO*
(O Gelo da Ausencia)
E...me PECA
E, me DIGA,
ME IMPLORE:
__VEM POR AQUI__!

...PORQUE, NESSE CONTEXTO,
TEREI O PRETEXTO,
DE RESPONDER:

__SIM!!__EU SEI! QUE EU, QUERO, IR POR AI'*!!!!!!!!!!!!!!!!!!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~HELOISA B.P.
Escrito em 06/11/03
em Londres.
*********************

__INSPIRADO EM JOSE REGIO, PRESTANDO-LHE ASSIM HUMILDE HOMENAGEM.
(Escrito em altura de grande LUTA INTERIOR!)
----------------------------------------------------
A TODOS* O MEU OBRIGADA* E O MEU ABRACO AMIGO* _H._
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
######################################


Escrito por Heloísa às 3:50:00 da tarde.

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