(¯`·._.· HELOÍSA ·._.·´¯)

Suas vivências: coerências e incoerências... sua viagem no Tempo presente, atravessando as pontes do passado.

Conterá Poesia, Prosa Poética e uma abordagem simplificada as diversas formas de ARTE.

Minha finalidade é aproveitar este *ESPAÇO* privilegiado, como veículo de comunicação,
para fazer isso mesmo: *COMUNICAÇÃO* e inter-acção entre quem escreve e quem lê e... vê:*VISITANTES DESTE ESPAÇO*

*PERDOEM A AUSÊNCIA DE ACENTOS*

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Conversando com as Palavras
ASHERA Concurso de Poesia 2008

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(¯`·._) terça-feira, junho 01, 2004 (¯`·._)


***REINVENTAR O CEU* EU QUERIA!***

*UM CEU HABITADO SO* PELOS AMIGOS*
*****************************************
UM PARAISO ONDE A DESLEALDADE, A FALSIDADE NAO FRANQUEASSE O BATENTE DA PORTA!
E... a volta de uma mesa redonda de indefinido diametro,estariam sentados (confortavelmente, em cadeiras construidas de vicosa e macia relva)os MEUS AMIGOS! E, HOJE,seria especialmente distinguido e de iguarias brindado, *UM* DE ENTRE TODOS:*VITOR*
assim e' chamado! E, cantar-lhe-iamos em CORO, AFINADO DE EMOCAO, um PARABENS A VOCE,REESCRITO EM RIMAS DE AMOR, EM MELODIAS DE SUAVIDADE E *HUMANO* CALOR!!!

MEU QUERIDO AMIGO
***VITOR***
O CEU, EU NAO POSSO REINVENTAR (quem sou eu!??)
Mas, aqui, deixo minhas humildes palavras:

***VITOR***

MEU BOM AMIGO*

QUERIA PARA SI* O *CEU*
NAO LHO POSSO DAR!
NEM TAO POUCO UM "PEDACINHO DE INFERNO"!...
POSSO APENAS REAFIRMAR A MINHA AMIZADE* E, DESEJAR-LHE O MELHOR DOS MELHORES E...PEDIR-LHE:_*PERSIGA OS SEUS SONHOS*!
_NAO DESISTA, COMO EU_!
BEIJOS!
_PASSE UM DIA FELIZ JUNTO DE SUA ESPOSA E RESTANTE FAMILIA QUE O AME!!!
Sua, dedicada, Heloisa
*****************************
***************************
(Esta mesma mensagem lhe enviei num singelo cartao, via Net).
_Para mim e'absolutamente insuficiente e inexpressivo de TODO O MEU SENTIR_!

Queria dizer-lhe em sabias palavras *TUDO O QUE PENSO DE SI* e da pessoa SINGULAR* que o *MEU QUERIDO AMIGO* E'!!! Mas... falta-me "engenho e arte"!
Digo-lhe entao:_ SEJA FELIZ_!
_MUITO FELIZ!!!!
O MAIS FELIZ QUE PUDER _REBENTE A ESCALA DA FELICIDADE, POR FAVOR!!!_*SEJA-O, POR SI* E, POR MIM_!...................
A melhor homenagem, a que esta' ao meu alcance prestar-lhe, e' deixar aqui as SUAS PALAVRAS,VITOR_UM POUCO DO SEU *CEU E INFERNO*.

Aqueles, meus OUTROS BONS E PACIENTES AMIGOS*, que nunca leram nada do VITOR*, aqui lhes deixo uma ligeira "amostra"!
_ O Seu Talento e' um MANANCIAL inesgotavel de SABER ACUMULADO,
de inspirado HUMOR, com um SENSO CRITICO, digno dos *Melhores*!
Porem, nao vou esgotar a vossa paciencia, dizendo-vos o que penso e sinto acerca do TALENTOSO E GENEROSO SER HUMANO, que atende pelo nome de *VITOR*, os meus QUERIDOS LEITORES E AMIGOS,tirarao vossas proprias ilaccoes!...........................

*PARABENS QUERIDO AMIGO*!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
**************************
**************************
PARA TODOS* OS OUTROS*, MARAVILHOSOS*, QUE TEM A GENTILEZA DE ME VISITAR E DISTINGUIR COM VOSSA AMIZADE E CARINHO, O MEU MUITO OBRIGADA!_ MUITO OBRIGADA MESMO*!!!!

_PERDOEM TAO LONGA AUSENCIA_!

_Apos as PALAVRAS DO VITOR: _O CEU E A TERRA_, deixarei algumas minhas, assim meio ao acaso, porque as letras, as silabas, os sons que compoem as palavras... perderam o RITMO no meu coracao! E... e' com alguma dificuldade que alinho letra apos letra construindo frases com um minimo de senso, um minimo de inteligencia criativa!
_Perdoem-me, por favor! So' o meu carinho por VOS nao perde a INTENSIDADE!

PARA A MINHA *ANA QUERIDA*, UM AGRADECIMENTO ESPECIAL, POIS, SEM A ARTE E A GENEROSIDADE DO SEU *ILUMINADO* CORACAO, ESTE BLOG, NAO SERIA O QUE E'!
BEIJINHOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! QUERIDA*!!!
_ BEIJINHOS A TODOS!

Vossa, Heloisa.
**************************************

*** CEU E INFERNO***
********************

(ESCRITO POR VITOR)

_Esta' publicado no *BLOG DELE*(AQUI NO MEU BLOG, ESTA' O LINK* PARA O DO VITOR*), parte desta HISTORIA
que, quem a conhece como eu, TEM TUDO,
para ser UM EXCELENTE LIVRO!

_ESSE ERA O MEU *SONHO* PARA ESTE ANIVERSARIO_!!!
(OUTROS ANIVERSARIOS VIRAO! E, O SEU, VITOR, E', O *TEMPO* DE CONCRETIZAR OBJECTIVOS:
DAR FORMA AOS *SONHOS*_!!!
-------------------------------
AGORA, AS PALAVRAS *DELE*!
-------------------------------

Há já um bom tempo que esta vontade existe em mim. A vontade de escrever sobre coisas que se passaram, umas vividas por mim, outras não.
Tudo está registado nos Arquivos Históricos da nossa Organização. Descrito duma maneira fiel e isenta.
Através dos tempos a técnica de Registo Fiel foi de tal maneira apurada, que desde há muito que deixou de haver lugar a distorções semânticas e a segundas ou terceiras interpretações. Quando algo acontece, fica registado. Não só a sequência cronológica dos factos, mas também as emoções e sentimentos lá ficam para que se alguém consultar o Arquivo, saiba exactamente o que se passou, sem julgamentos morais, sem condenações de qualquer espécie.
No apurar desta técnica que a ultra-vibrologia nos trouxe, esteve sempre presente a intenção do apuramento da verdade, com a qual possamos aprender mais e mais, para que o nosso crescimento individual se possa fazer da forma mais harmoniosa e equilibrada. Claro que não dominamos o conhecimento do nosso crescimento até formas mais evoluídas do que a nossa. Somente sabemos o que se passa em estadios menos evoluídos do que o nosso e creio que ainda muito superficialmente o que nós somos, tal como estamos, no ponto evolutivo em que nos encontramos.
Não tenho muito tempo para escrever, pois a direcção deste Sector mantém-me de tal maneira ocupado, que por vezes nem descanso. Mas o cansaço no sentido físico do termo ,há muito que é apenas uma recordação.
A partir duma certa altura do nosso crescimento, as nossas necessidades passam a ser outras. Somos vivos. Mais vivos do que nunca anteriormente fomos, mas não deixamos de ser porções de energia, seja isso o que for, pois embora ao nosso nível a manipulemos mais eficazmente, continuamos a não encontrar uma definição com a exactidão satisfatória para o conceito.
Como estava a dizer, somos porções de energia, imersas numa quantidade muito maior de energia, que se manifesta das mais variadas maneiras e interagimos permanentemente umas com as outras, realizando permutas para que a vida se mantenha para toda a eternidade e por isso continuamos a ter necessidades ,mas diferentes consoante o estadio evolutivo.
Há uma constante que se mantém independente, que é o dar e receber. “PARA RECEBERMOS TEMOS DE DAR E PARA DAR TEMOS DE RECEBER”.
Decidi dar satisfação a esta vontade de escrever, pois creio que apesar da exactidão com que tudo está registado, algo ainda falta, a síntese que só um espírito nas suas vivências, com todas as suas imperfeições e limitações, consegue realizar.
Não sei para quem escrevo. Provavelmente para ninguém a não ser eu próprio. Mas não ponho a questão nestes termos por egoísmo, ou por necessidade de preservar apenas para mim, qualquer forma de conhecimento que não pretenda partilhar com os outros. Faço-o por satisfação pessoal, por uma questão de gosto e de amor no sentido lato do termo, pois sem ele não podemos viver. É ele o elo que nos mantém e que ninguém tenha a pretensão de viver sem ele. Em toda a caminhada que tem sido a minha vida nas suas diversas nuances, que não sei ainda quando começou, tem sido esse o grande ensinamento e conteúdo que extraí.
O que vou descrever passou-se há muito tempo. Faz parte das minhas memórias, que hoje acaricio e guardo com carinho no meu íntimo, já isento de ressentimentos, o que faz com que me sinta em paz e mais livre do que alguma vez anteriormente me senti. As coisas deixaram de ser um fardo e felizmente que o Todo Poderoso me doou esta felicidade que me comove e que desejo partilhar com todos. É um sentimento de união e comunhão com todas as criaturas deste Universo, que me habita e me faz pôr estas memórias sob esta forma. Sei que outras criaturas mais evoluídas estarão mais felizes ainda. São seres que passaram por este plano e por este lugar e quem sabe, talvez tenham feito o mesmo que eu neste momento estou a fazer. Talvez um dia o venha a descobrir...




- Tempo. É preciso tempo para poder fazer as coisas.
- Mas é o que já não temos muito.
- Como é que queres que faça esta localização nestas condições?
- Tenta.
- É o que tenho feito nestas últimas centenas de unidades temporais.*
Embora este diálogo possa sugerir alguma tensão, os intervenientes não mostravam qualquer sinal de nervosismo ou impaciência. Talvez preocupação, mas não tensão. Pelo menos a um observador que não os conhecesse bem. Pelo contrário, eram seres calmos e apesar da aparência jovem, havia algo na sua postura, nos seus olhares e nas suas expressões, que causava a sensação de encontro com a maturidade, feita de vida intensamente vivida. Aqueles olhos davam a impressão de terem visto tudo, mas mesmo assim, esperavam ver muito mais.
O compartimento era rectangular, com aproximadamente seis metros de comprimento, por quatro metros e meio de largura. O mobiliário era quase espartano, mas duma comodidade tranquila e funcional. Era constituído por um armário embutido na parede, cujas portas se confundiam com a superfície da mesma. Uma cadeira reclinável que fazia lembrar a dos dentistas, mas com um desenho diferente. Devia ser usada para descanso, ou tal como sugeriam alguns dos seus comandos, em períodos de forte concentração e projecção mental. Haviam mais duas cadeiras aparentemente vulgares, mas coisa insólita, todas as suas partes acompanhavam os movimentos de quem se sentava nelas, fornecendo apoio a todo o corpo. Era como se tivessem sido feitas, para que quem se sentasse nelas, o fizesse por longos períodos de tempo. Encostada à parede oposta à porta que dava acesso à sala, ficava uma mesa grande, género bancada, sobre a qual estavam dois monitores de forma ovalada, quase elipsoidal, que davam a sensação de estarem sempre virados para o observador, independentemente do ângulo de observação. A dominar aquele conjunto futurista e ocupando a quase totalidade da parede acima da bancada, um painel que só quando se fixava o olhar nele é que nos apercebíamos de que era uma janela. A luminosidade presente mudava de cor e tom, sempre de forma suave e reconfortante.
A personagem que acusava a falta de tempo, exibia uma aparência de cerca de trinta a trinta e três anos. Possuía um rosto a condizer com a corpulência, que devia ter sido adquirida em muitas horas de exercício físico. Estava sentado numa das cadeiras que acompanhavam os movimentos do corpo, em frente ao monitor do lado esquerdo e ao mesmo tempo que falava, não tirava os olhos do mesmo.
O outro personagem de constituição mais ligeira, estava de pé e aparentemente tinha chegado há pouco tempo. De feições mais angulosas, devia ter à volta do metro e setenta e oito. No seu cabelo havia meia dúzia de precoces fios de prata. Via-se que era mais velho do que o seu companheiro, mas a diferença de idades não devia exceder os cinco anos. Tinha uma expressão determinada no rosto e pelos vistos liderava aquele duo.
Sentando-se na cadeira que estava em frente ao outro monitor disse:
- Mário, se não conseguirmos esta localização através do Scanner de Campos Vibratórios, terei de a fazer no Terreno.


* Unidade Temporal – unidade de medida do tempo equivalente a uma hora.
Mário, virando-se de frente para Tomás, parou por momentos o que estava a fazer e pela primeira vez, com uma réstia de ansiedade no rosto, pronunciou em voz forçadamente neutra:
- É assim tão mau? – Como Tomás não lhe respondesse, continuou: - Mas afinal, o que é que este caso tem de tão especial para ti? Temos feito milhares de localizações e acompanhamentos, alguns bem difíceis, há já muito tempo, mas nunca vi tamanha insistência da tua parte num só indivíduo.
O outro desviou o olhar, como se lhe fosse difícil encarar, não o companheiro, mas sim a pergunta. Respirou mais profundamente e voltando a olhar para Mário:
- Lembras-te de quando começámos com este trabalho?
- Sim, lembro.
- Não o desta localização, mas quando ainda estávamos no estágio?
- Sim, lembro-me de teres sido meu monitor na fase final.
- Nunca achaste estranho que um colega de estágio fosse monitor do estágio que frequentava?
- Na altura ficámos todos um pouco surpreendidos, mas estávamos tão atarefados com o que tínhamos para aprender, que o assunto embora comentado, acabou por não o ser de forma a originar grandes debates no refeitório. Mas com o decorrer do tempo, tenho feito essa pergunta a mim mesmo, algumas vezes.
- E a resposta...?
Mário, por momentos pareceu embaraçado, mas de seguida:
- Bem... é certo que és mais velho do que eu e os outros aqui...
- Sim... –Encorajou Tomás: - Por favor sê sincero. Não me escondas nada. Sabes que não me vou melindrar com o que...
- Está bem, está bem. – Atalhou Mário: - Mas sabes que nem sempre é fácil dizermos o que pensamos ou pensámos, a alguém por quem temos consideração, sentimos amizade e ainda por cima é nosso chefe.
Por momentos ambos se calaram, como que esperando que a solução para esta situação se materializasse. Um esperando a resposta e o outro procurando reunir ideias, que lhe permitissem expor o que pensava sem ferir o amigo.
Mário, distendendo-se um pouco na cadeira e encarando Tomás, disse de chofre:
- Na altura, pensámos que tinhas engraxado muito bem os professores.
- E...? – Interrogou Tomás, no rosto de quem se tinha instalado uma expressão mista de divertimento e curiosidade.
- Vê lá se compreendes a situação, Tommy.
- Não me chames isso, se me fazes o favor. – Pediu Tomás.
- O que é facto, é que cantaste a “Tommy” muito bem, por várias vezes e a Ana pôs-te o nome. Sabes como ela é para caracterizar as pessoas e situações. Consegue ser notavelmente sintética e eloquente. O que diz é normalmente aceite de forma consensual. Agora, meu amigo, não sei como te vais ver livre do apelido. – Justificou Mário em tom judicioso, para quem, pelos visto, as “sínteses” de Ana tinham o valor de uma certidão e esta, a adivinhar pelo brilho dos olhos, agradava-lhe de forma particular.
- Voltemos ao tema que estávamos a tratar. – Propôs Tomás.
- Áh!... Sim. – Concordou Mário: - Estava eu a apelar à tua compreensão... – Parou por momentos e a seguir: - Olha. É como se de repente, tudo tivesse voltado atrás. O terem-te feito monitor durante o estágio, trouxe-me velhas memórias, que eu queria esquecer.
- Não compreendo. – Pronunciou perplexo Tomás.
- Foi como se tivéssemos voltado ao sistema das cunhas que é tão vulgar entre os habitantes do Terreno. Não sei se me estás a entender. Eu... Bem... Eu na minha última estadia lá, fui várias vezes preterido em coisas de que gostava, por esse sistema social abominável. Isso causou-me frustrações imensas com as quais não me soube relacionar muito bem.
- Já começa a fazer mais sentido. Mas também já é tempo de sarares de vez essas feridas e dares um pouco mais de paz a ti mesmo.
- Oh!... Mas isso foi há muito tempo. Na altura em que aconteceu a tua promoção essas memórias voltaram a estar presentes, com grande parte da sua carga emocional. Mas depois disso, achei que não estava bem e tratei do assunto com a minha terapeuta, e hoje esse passado já não tem influência em mim.
- Parece-te que é assim, mas não é. Mas isso não importa agora... – Respondeu Tomás, fazendo um gesto com a mão, como a querer dizer que o tema seria debatido mais tarde.
- Calma. Espera um pouco por favor, Tomás. Eu ainda não acabei. – Insistiu Mário: - Relativamente à tua promoção, conforme fui convivendo contigo, é que comecei a relacionar as coisas e cheguei a conclusões diferentes.
- Está bem. Desculpa a minha falta de tacto.
- Comecei por reparar, que quando os professores explanavam qualquer parte mais confusa da matéria, as perguntas mais difíceis eram sistematicamente dirigidas a ti e que, em troca, tu raramente falhavas uma resposta. Esse comportamento dos professores, mais o facto de seres mais antigo, mais o não residires no “campus”, levou-me depois a deduzir duas coisas:
Podia ser que fosses um repetente, mas demonstravas demasiada competência. Por outro lado eras tratado com demasiada consideração pelos profes, e eles não costumam tratar os repetentes dessa maneira. Portanto, esses dois factores quase eliminavam a hipótese repetente.
Assim, restava-me a segunda hipótese, que seria, tu seres um deles em reciclagem, depois duma estadia no Terreno, ou por qualquer outro motivo. Falei com a Ana diversas vezes sobre isso e ela, tal como eu, sempre se inclinou mais para a segunda, como justificativa da tua promoção a monitor quando eras ainda um estagiário.
- Tens razão num ponto. De facto estava em reciclagem após um período no Terreno. Mas não estava a ser reciclado como professor. É que eu já tinha feito isto antes de ter ido ao Terreno.
- Áh! Então tu és um veterano em missões no Terreno. – Concluiu Mário com ar vitorioso.
- Sim e não. – Rectificou Tomás
- Agora é a minha vez de não perceber nada “prof”. Explica-te melhor, por favor. Hoje estás muito “metafísico”. – Pediu Mário com ar cómico. Aliás, Mário era apreciado pelos colegas, pelo seu sentido de humor, que se manifestava nas situações mais inesperadas.
- Como te disse, eu já tinha feito este trabalho. Mas a minha última ida ao Terreno não foi em missão, mas sim em mais um período de prova evolutiva. Como sabes, periodicamente todos temos necessidade disso.
Como sabes também, durante esses períodos passamos por um processo amnésico, resultante da condensação vibratória que é necessária, para nos integrarmos na respectiva dimensão. Por sinal, tirei aproveitamento neste último período. Quando voltei, o processo de descompressão foi mais rápido do que anteriormente tinha sido e a minha memória sofreu uma expansão, que me permitiu retomar um trabalho, que anteriormente já tinha executado. Mas os dois fenómenos, a aceleração da descompressão, mais a expansão memorial, foram resultantes do aproveitamento que extraí no Terreno.
Assim, fui fazer o estágio. Mas à medida que ia relembrando e adquirindo conhecimentos, a expansão da memória foi ocorrendo de forma acelerada. Por isso, mais a crónica falta de pessoal com que nos debatemos, fui posto como monitor. Percebes agora o que se passou? – Interrogou Tomás, em jeito de conclusão.
- Sim. Mas continuo sem perceber, o que é que isso tem a ver com a tua fixação naquele caso.
Tinha Mário acabado de falar, quando no monitor situado do lado direito, surgiu uma mensagem dirigida a Tomás, convocando-o para uma reunião com a Direcção do Departamento de Localizações & Acompanhamentos (L&A). Após ler a mensagem, este disse em tom sério a Mário:
- Continua a tentar a localização, por favor. Mais tarde falarei contigo. – E com estas palavras enigmáticas, levantou-se da cadeira onde tinha estado sentado, dirigiu-se à porta e saiu da sala.


Saindo da Sala de Rasteio de onde tinha sido chamado, Tomás tomou o corredor que o levou até ao elevador. Ia absorto nos seus pensamentos e nem deu pelo pedido de identificação de segurança, que o mecanismo apresentou.
Estas, eram instalações de alta segurança, dado o trabalho de rasteio nelas realizado. A localização de indivíduos situados em planos vibratórios mais densos, exigia a emissão de ondas vibratórias extremamente fortes e penetrantes, que permitissem a captação dos pequenos pontos energéticos, que esses mesmos indivíduos representavam. E essas emissões podiam denunciar a posição dos emissores a organizações antagonistas, poderosas e bem estruturadas, dotadas de equipamento tão e por vezes mais eficaz, do que o do Sector em que Tomás se integrava.
Tomás pertencia ao Plano Ético, uma organização criada com o fim de incrementar tudo o que pudesse fazer evoluir a vida nos aspectos científico, moral e filosófico. Esta organização estava associada a outras com os mesmos fins, que por sua vez se filiavam numa Federação, cujos limites não eram bem conhecidos de todos.
Sabia-se que era antiga. A sua idade talvez pudesse ser medida em muitos milhares de anos terrestres. Quem o sabia? Alguns dos seus dirigentes.
Qual a sua extensão? Ninguém a conhecia totalmente. Somente indivíduos existentes noutros planos vibratórios, que no conceito humano, se poderiam chamar mais elevados. Autênticos semideuses, quando comparados em termos evolutivos, com os indivíduos do plano vibratório em que Tomás e o Plano Ético se situavam.
A porta do elevador voltou a exigir: “Forneça-me a sua identificação, por favor. Esta é a segunda tentativa. Tem mais uma. Se não se identificar correctamente nestas duas tentativas, chamarei os seguranças.”
Tomás tomando consciência da exigência do mecanismo, colocou a palma da mão direita sobre o sensor, que o identificou como estando autorizado a utilizar aquele elevador e abriu a porta, que lhe permitiu a entrada. Já dentro da cabina uma voz clara e suave perguntou: “Forneça-me o destino pretendido, por favor.”
Tomás respondeu:
- Andar da Direcção.
A voz voltou a fazer-se ouvir: “ A sua autorização, por favor.”
- Agente Resteador Sénior Tomás, em resposta à convocatória da Direcção, com grau de prioridade 2. – As prioridades estavam ordenadas segundo uma escala de 1 a 5. 2 significava muito urgente.
A curiosidade sobre os motivos desta chamada, predominavam nos pensamentos de Tomás. A nível subliminar sentia uma expectativa agradável, que os contactos com os Directores do seu Sector sempre lhe causavam.
Eram normalmente exigentes, mas também a sua presença transmitia um calor emocionalmente nutritivo. Apresentavam o que era necessário que fosse feito duma forma irresistível. Ao pé dos Directores o medo não existia. Havia sempre a sensação, de que as missões seriam concluídas com o sucesso desejado. Nunca lhe tinham faltado com o apoio, em momento algum. Quando as coisas não corriam bem, não julgavam. Não o faziam sentir-se esmagado por sentimentos de culpa. No entanto, o apelo à responsabilidade era imperativo.
Neste Sector o trabalho em equipa era agradável. Os seus elementos funcionavam como irmãos, que se davam bem. O sucesso de um, era uma vitória para todos e um falhanço não era nunca uma derrota, mas sim, mais um motivo para o reforço da coesão do grupo.
O elevador chegou ao piso do destino e a porta abriu-se para um Hall de entrada, com aproximadamente dez metros por oito e meio, do qual, quatro portas davam acesso a outras dependências. O chão era coberto por um revestimento que amortecia o contacto dos pés com o solo, conferindo maior leveza e conforto ao andar. As paredes de um tom azul celeste claríssimo, emprestavam ao compartimento uma tonalidade tranquila, mas viva.
A decorar as paredes, diversos quadros com motivos variados. Um deles, embora simples, sempre tinha tido em Tomás um efeito agradável. Evocava um foco de luz intenso e magnificente, do qual emergia uma mão poderosa de palma virada para a frente, numa atitude apaziguadora, que chamava a atenção para os diversos caminhos que a vida podia tomar. Do centro dessa mão saía uma legenda flutuante, que dizia: “A escolha é tua.”
Do mobiliário constavam diversas cadeiras, daquelas que forneciam apoio a todo o corpo acompanhando os seus movimentos, dois armários estantes com diverso material informativo e livros à moda antiga. Tudo com aspecto muito bem arrumado e ordenado.
Plantas ornamentais muito verdes, que conferiam ao ambiente um tom fresco e vivificante e lá estava uma secretária, sobre a qual pousava um monitor, duma versão mais simples da dos que equipavam o Centro de trabalho de Tomás.
Sentada à secretária e com um sorriso estampado no rosto bonito e trigueiro, estava Eve, uma ex-colega de estágio de Tomás, com a qual tinha estabelecido uma relação de simpatia mútua, desde o momento em que a tinha conhecido, já lá iam uns bons tempos.
A presença desta amiga, criava em Tomás um estado de espírito alegre e desta vez isso voltou a acontecer.
- Eve, por aqui? – Saudou Tomás em tom um pouco surpreso, ao mesmo tempo que se encaminhava para ela.
Eve, que já devia esperar a chegada dele, levantou-se e correspondeu à saudação:
- Tomás, até que enfim. – Ao mesmo tempo que estendia a face para receber o beijo que este lhe dava: - Agora é raro ver-te. Desde que te tornaste importante, deixaste de ligar aos amigos. – Disse em tom brincalhão
- Não te queixes. A saudade é mútua e eu não sou importante, sou apenas um humilde servidor teu. – Acrescentou em tom modesto, correspondendo à brincadeira de Eve. – O que fazes aqui? – Interrogou.
- Trabalho aqui. – Respondeu Eve.
- Isso já eu vi. Mas como?
- Como, o quê, Homem? – respondeu ela.
- Como é que vieste para aqui? É que eu perdi-te o rasto há uns tempos.
- Olha, finalmente alguém reparou nas minhas elevadíssimas qualidades e resolveu que era tempo de serem devidamente aproveitadas, no superior interesse da colectividade. – Respondeu com ironia, adoptando uma pose de falso snobismo. – Só tu é que não reparaste nelas. – Acusou em tom queixoso
- Sabes que não é assim. Quando trabalhámos juntos, fiz um relatório elogioso a teu respeito. – Defendeu-se ele.
- Eu sei disso. Tanto quanto eu saiba, foi o grande contributo para eu aqui estar.
- Mas como? Isso já foi há tanto tempo. – Admirou-se ele.
- Pelos vistos os “Chefões” têm boa memória. Como sabes, não esquecem nada.
- Olha, fiquei feliz por te encontrar. Creio que o meu dia já foi ganho. Mas o que é que o Boss agora quer de mim?
- Sinceramente, não sei. Mas disse-me para te fazer entrar, mal chegasses e nós já aqui estamos há imenso tempo na conversa. Por isso Menino, põe-ta a andar lá para dentro. – Ordenou Eve, enquanto se encaminhava para a porta oposta ao elevador. Bateu de forma discreta, esperou pela resposta, em seguida abriu a porta e anunciou:
- Senhor Director, o Agente Rasteador Sénior Tomás já chegou. Posso-o mandar entrar?
De dentro, Tomás que não via o Director, ouviu a voz de barítono, que tão bem conhecia, pronunciar:
- Óptimo. Mande-o entrar já, por favor.
O Director era sempre cortês, fosse qual fosse a situação. Mas por trás dessa cortesia, estava uma firmeza da qual não havia dúvidas.
Eve afastou-se da entrada do gabinete e fez um sinal com a cabeça, a indicar a Tomás que entrasse. Este ao chegar à entrada perguntou:
- Dá-me licença Senhor Director?
Este que se encontrava de pé, atrás da sua mesa de trabalho, fazendo um gesto de chamada com a mão esquerda, estendeu-lhe a direita para um aperto de mão firme, enquanto pousava sobre Tomás um olhar caloroso e convidativo, dizendo:
- Que o Criador esteja consigo, meu caro. Sente-se e ponha-se à vontade. – Convidou acrescentando de seguida: - Como sabe, não precisamos de formalismos, nem de etiquetas rígidas, que só servem para atrapalhar a comunicação.
Após ter dito isto, o Director, que gostava que o tratassem por Irmão César, sentou-se também e olhando de forma perscrutadora para Tomás, inquiriu:
- Já se alimentou hoje? É que são horas do pequeno almoço . Eu já tomei o meu. Mas se você ainda não o fez, mando vir um para si. Sei que esteve de serviço durante a noite e não me admirava nada que ainda estivesse em jejum. E, meu caro, estes só servem para purificar os gulosos, que não é o caso dos elementos do Plano Ético. Evite esses disparates dos jejuns, porque apesar de tudo, para vibrarmos em sintonia positiva, necessitamos de ter os nossos conteúdos energéticos repostos.
- Estou-lhe agradecido pelo cuidado e generosidade, Irmão César, mas só faço jejuns se não o puder evitar, por isso já tomei a minha primeira refeição. – Respondeu Tomás, com o ar informal de que o Irmão César era apreciador.
- Óptimo. – Exclamou mais tranquilo o Director. De seguida: - Então vamos directos ao assunto que me levou a convocá-lo. – Parou por uns momentos, como que a decidir qual a maneira mais acessível de apresentar o assunto e depois perguntou. – Como vai a localização VJC, que até ao seu último relatório ainda não tinha sido conseguida?
Com ar preocupado, Tomás respondeu:
- Até agora, ainda não conseguimos nada. Aquilo que inicialmente parecia ser um caso rotineiro, tem-se revelado difícil.
- Mas já conseguiu alguns indícios, que lhe permitam perspectivar uma saída para o caso?
- Nada Senhor Director. – Volveu Tomás em tom mais formal. E continuou: - O alvo continua perfeitamente oculto. Por vezes, surge um indício que nos parece ir dar uma pista, mas depois desaparece, ou revela-se uma pista falsa. Até agora tem sido uma busca no escuro, sem nada que sirva como ponto de orientação. Evidentemente que de cada vez que detectamos uma pista que se revela falsa, reiniciamos todo o trabalho de acordo com os procedimentos.
É esquisito. Muito esquisito mesmo... Já temos tido casos morosos e difíceis, mas existe sempre um campo que por muito ténue que seja, ao fim de um tempo acaba por aparecer, o que leva a que com maior ou menor dificuldade, consigamos localizar e acompanhar o indivíduo, até podermos entregá-lo ao Sector que tomará conta dele. Mas neste caso... Nada. – Confessou frustrado.
- Sabe que por vezes o próprio, não deseja o auxílio. A amnésia causada pela condensação vibratória é uma protecção, relativamente a memórias traumatizantes, mas em simultâneo, revela-se uma arma de dois gumes, quando o indivíduo se mete a vivenciar experiências prejudiciais às quais o seu conteúdo energético ainda á vulnerável. - Disse em tom didáctico, o Director.
Tomás anuindo com um gesto de cabeça, disse:
- Eu sei. Eu sei disso, porque tenho essa experiência, ainda recente. Ainda está bem fresca nas minhas recordações.
- Pois. Todos nós passamos por isso. Não há maneira de o evitar. Faz parte do nosso processo de crescimento, mas você já amadureceu o suficiente, para que esses contactos não o influenciem de forma duradoura ou permanente. Pelo menos os contactos que aconteçam a esse nível. Em si, o despertar da consciência já ocorreu e esse felizmente, é um fenómeno irreversível e permanente. Estou absolutamente seguro do que digo, pois todos os testes assim o revelam.
- São assim tão seguros, Irmão César? – Perguntou Tomás, com uma réstia de inquietação na voz .
- Tem dúvidas, meu Filho? Quais são elas? Não quero esse espírito torturado por incertezas que digam respeito a métodos de trabalho que você utiliza em situações de decisão operacional e também com dúvidas e auto-desconfiança. Isso mina o nosso interior. Para fazermos este trabalho, temos que estar absolutamente confiantes. Cientes daquilo que já somos, sem persporrências, mas confiantes, é o termo exacto. – Disse em tom bondoso o Director, em quem no rosto estava presente uma expressão benevolente.
- Mas Irmão César... Quando os aplico aos outros a minha fé é completa. Só que em relação a mim... é diferente. Não sei se me percebe... Que o Criador me perdoe.
Tomás parecia acabrunhado.
- Esteja tranquilo. O Criador perdoa todas as suas criaturas. Eu não sou ninguém para o julgar. Ninguém o é, mas sabemos que ele é perfeito. E como sabe, o perdão é um atributo da perfeição.
Quanto à eficácia dos testes, meu Filho, quando César, o Júlio, não eu, escreveu “A Conquista da Gálias”, já os testes revelavam uma eficácia de cem acertos em cada cem tentativas, há muito tempo. Aliás, os estudos que levaram à elaboração dos teste psico-emocionais vibratórios, foram feitos com a colaboração e supervisão de planos muito mais evoluídos do que o nosso.
E como sei que esse espírito curioso usa da dúvida como método, acrescento para sua maior tranquilidade, que esses planos, não sabem tudo sobre ele próprios, mas deles para baixo, já nada têm a aprender. Certo? – Rematou o Director, ao que Tomás respondeu anuindo com um gesto de cabeça.
O Director voltou a insistir:
- As dúvidas já aí não estão?
Tomás com ar aliviado confirmou:
- Não. Já cá não estão. Só que de vez em quando surgem e eu sinto que as devo manifestar.
- Claro. Faz bem em as expor. E eu estou aqui para as desfazer. São sinal de humildade. Mas lembre-se de que a humildade excessiva não é uma virtude. Por vezes denuncia falha de autoconfiança.
Isto não é uma censura. É um reforço positivo dessa qualidade fundamental para o nosso trabalho. Sem ela, surge o medo que nos mina e nos leva a estados vibratórios que nos tornam vulneráveis. E os nossos opositores não perdem uma oportunidade de explorar cada uma das nossas brechas. Tenha esta verdade sempre presente. Entendidos?
Tomás visivelmente mais aliviado, concordou com um sinal de cabeça. O Director continuou:
- Quanto à localização VJC, que não o desanime, porque se trata de um caso verdadeiramente complicado, com um perfil com o qual você ainda não tinha lidado. Quando lhe foi entregue, os dados não eram suficientes, mas o respectivo departamento não o sabia. Aliás, ninguém o sabia até terem chegado ao nosso conhecimento notícias frescas. Se ainda pertencêssemos a planos vibratórios mais densos, diríamos que foi por acaso. Mas o acaso é coisa que não existe.
Levantando-se da cadeira, o Director dirigiu-se a um painel situado na parede do lado esquerdo. Tocou num interruptor situado no lado direito do painel, no qual surgiu uma imagem dum mapa formado por linhas brancas sobre um fundo negro. No meio dessa escuridão surgiam algumas poucas estrelas brancas luminosas, que eram o símbolo do Plano Ético.
- Com certeza que sabe o que é isto Tomás. – Afirmou o Director, olhando para Tomás à espera duma resposta.
- Trata-se do mapa duma região onde se desenvolvem actividades do Plano Ético, senhor Director. – Respondeu Tomás em tom formal e cuidadoso.
- Exactamente, meu amigo. Trata-se da região, de onde vieram as notícias a que me referi há pouco. Situa-se no Terreno, numa área com fortes problemas de reestruturação económica e social, onde os nossos opositores têm registado forte actividade. – Afirmou o Director em tom grave.
O Irmão César nunca usava o termo “inimigo”. Era um ser evoluído, que não considerava ninguém como tal. Costumava dizer, que cada um só possuía uma classe de inimigos. Os interiores, provenientes de si próprio, que era tudo o que pudesse retardar o processo de crescimento evolutivo de cada qual. Mais nenhuns. Os outros, os exteriores, eram no máximo opositores imaturos ou ignorantes, mas não inimigos.
Parou por momentos a observar o mapa, de forma pensativa. Tratava-se de um homem de idade indeterminada. Com aproximadamente um metro e oitenta centímetros de altura, de porte atlético mas ombros não demasiadamente largos. Vestia uma camisa branca folgada, cujas fraldas por fora das calças, eram apertadas na cintura por uma faixa azul claro. As calças brancas do mesmo tom da camisa, justas nas pernas, terminavam nuns sapatos da mesma cor, que se moldavam aos pés como uma luva e fechavam magneticamente no peito do pé. Eram sapatos dum modelo comum naquele sector do Plano Ético, que conferiam ao andar elasticidade e elegância. Apresentava alguns fios de prata no cabelo de tom escuro, mas não negro.
O que impressionava nele, era a energia vital dinâmica e tranquila. Havia como que um brilho que provinha do seu interior, que não esmagava nem diminuía aqueles com quem lidava. Alias, esse brilho que ele procurava atenuar, como alguém que não quer cegar os outros, sempre tinha fascinado Tomás.
O Director estava novamente a falar, constatou Tomás, fazendo-se regressar ao tema do mapa:
- ... Como estava eu a dizer. Esta área já deu contributos notáveis à evolução do seu planeta, há aproximadamente quinhentos anos, para usarmos o método de contagem do tempo desse plano, que não está tão distante de nós, que possamos menosprezar a sua influência no nosso nível vibratório. Está situada na Península Ibérica e VJC foi referenciado como estando presentemente, a viver no litoral norte de Portugal, uma nação costeira dessa península, que foi quem iniciou o movimento expansionista marítimo, que veio a originar a descompartimentação do planeta e que o pôs neste curto espaço contínuo-temporal, a caminho da concretização do conceito da “Aldeia Global”, o que representa uma aceleração histórica a nível planetário notável.
Portugal, passado esse período de fulgor, durante o qual construiu um império com colónias em todos os continentes, é hoje um pequeno país costeiro, que sofre o trauma da perda desse império e simultaneamente os efeitos da integração numa comunidade económica, constituída com outras nações do mesmo continente, algumas das quais, já em certa medida ressarcidas dos traumas causados pela perda dos respectivos impérios.
Este resumo histórico, como deve calcular, não tem a pretensão de ser a conclusão duma investigação, mas sim uma visão muito breve do contexto histórico-social, em que supomos que VJC esteja localizado.
A integração do país nessa superestrutura multinacional que se chama Comunidade Europeia, como já disse há pouco, teve inicialmente fins exclusivamente económicos, mas com a evolução económica, tecnológica e social do resto do planeta, houve uma revisão de objectivos, originando a formação duma federação de estados soberanos que ultrapassa o da criação de um espaço de livre circulação de bens e pessoas.
Na Comunidade Europeia, existiam entre os seus estados componentes, assimetrias de estadios evolutivos no que se refere à economia e tecnologia. É assim, que estados mais ricos, têm que fazer um esforço de criação de riqueza nos estados mais pobres, obrigando por sua vez, estes a um esforço de integração com um preço elevado para as populações.
Nesta adaptação, força-se a reciclagem das capacidades das pessoas para permitir uma integração o mais equilibrada possível do colectivo nacional num colectivo económico, tecnológico e social supranacional, o que leva ao desaparecimento muito acelerado de profissões e modos de vida tradicionais, com os custos sociais que são nestas situações habituais.
A par desta integração, verifica-se a nível planetário, a transição do estadio da sociedade Industrial para o da sociedade da Informação.
Regista-se um forte incremento de prosperidade material para os elementos da população preparados para acompanhar essa mutação, a par da depauperação dos que se deixam atrasar. Há um poder aquisitivo da maioria da população mais aparente do que real e aí, forma-se um fosso que se tem vindo a alargar, entre os que podem e os que não podem.
Concomitantemente, aumentam as actividades ilegais, geradoras de riqueza monetária à custa da miséria alheia. Alarga-se o número dos que são apanhados nas teias do consumo de substâncias neuro-adaptadoras, estabelecendo-se um comércio quase institucionalizado desses tóxicos que em certos estratos chegam a ser uma moda.
O consumo, que durante os primeiros estadios evolutivos da situação ocorria apenas junto de marginais minoritários, alastra, atingindo actualmente todos os estratos sociais, financeiros e intelectuais.
A par de todo o progresso, surge também a corrupção das mentes, das entidades oficiais e o materialismo como forma e valor absoluto de vida e a consequente subversão de valores morais e espirituais.
Esta minha forma de apresentar o caso, não me identifica como estando contra esse progresso. Pelo contrário. Ele é necessário e bem vindo. Só que como disse, tem os seus custos.
É quase como se fosse inevitável a passagem por estas experiências tanto a nível individual como colectivo, para que uma grande parte venha a conseguir atingir o estado do despertar da consciência, num futuro ainda distante. – Acrescentou em tom meditativo.
Tomás continuou em silêncio, aguardando que César continuasse.
Este, após uma pausa durante a qual contemplou o mapa, dirigiu-se à sua cadeira e sentou-se. Chegando-se à frente, colocou os antebraços sobre a mesa de trabalho, voltando a falar com os olhos postos em Tomás.
- Meu caro. Aquele mapa representa o Terreno e o fundo negro não está ali apenas para formar contraste com as nossas estrelas. Apresenta-nos a realidade vibratória daquela área, tal como ela é actualmente. – Disse com ar entristecido. E acrescentou: - As organizações opositoras têm sabido aproveitar a conjuntura, para transformar aquela área do Terreno em campo fértil para os seus objectivos. Na realidade tem sido um fartote de colheitas. Mas tenho fé, em como vamos conseguir, com o tempo, inverter esta tendência e clarear um pouco mais aquela cor.
O Director era fantástico a transmitir optimismo. Aliás, era um optimista nato, para quem nunca nada estava perdido. E continuou:
- Sabemos que VJC está lá e metido em sarilhos. Penso que não irremediáveis, mas em sarilhos.
Tomás, falando em tom cuidadoso, perguntou:
- VJC é nosso agente, Irmão César?
- Não, não é. Mas se você e ele o quiserem poderá vir a sê-lo. O que me daria muita alegria. – Recostando-se na cadeira e traçando a perna, continuou: - Proponho até, que a partir de agora esse seja o nosso objectivo.
Como sabe, nos estratos mais densos do nosso Plano ocorrem por vezes situações de contaminação, o que faz com que agentes nossos se passem para o outro lado. Isso acontece também no sentido inverso. Penso que o nosso amigo não é agente deles. Sei que está metido numa alhada de todo o tamanho e julgo que ele sente o mesmo, já que não pode neste momento, ter uma consciência clara da situação. Se conseguíssemos fazer com que VJC se tornasse um dos nossos, essa seria a melhor forma de se proteger, embora se expusesse a ataques violentos por parte do outro lado.
De cada vez que conseguimos uma conversão, é uma vitória que contribui para alterar o conteúdo geral duma área. Por muito pequena que seja, há uma alteração na polaridade, mesmo que não seja visível num mapa como este. – Disse apontando para o painel da parede.
- Mas em que medida é que o meu querer pode contribuir para isso Irmão César? – Perguntou Tomás, que não se tinha esquecido da frase do Director, quando este propôs a conversão de VJC em agente do Plano Ético.
- Já lá vamos meu caro. Deixe-me agora, fazer-lhe uma resenha do histórico deste nosso amigo. – Propôs o Director: - VJC tem actualmente trinta e oito anos de idade, segundo a contagem do tempo do contínuo temporal em que se insere. Teve uma educação religiosa dentro do Catolicismo e foram-lhe implantados na matriz do carácter princípios morais de fundo Judaico-Cristão sólidos, pelos parentes mais próximos. No início da adolescência entrou em contacto com formas de pensamento alargadas que o afastaram dessa forma de pensar.
Repare que, nem os princípios em que foi educado, nem as leituras que fez estavam erradas. Acontece é que as filosofias com que entrou em contacto na adolescência, tiveram uma ressonância muito forte numa essência profunda marcada por anteriores experiências existenciais. Isso gerou um conflito emocional que o levou a adoptar uma atitude de irreverência perante os princípios em que formou o carácter, questionando-os numa sociedade que não estava preparada para aceitar esse tipo de atitude.
Estas são informações duma congénere nossa, que o seguiu e acompanhou até essa fase. Depois por diversas circunstâncias não lhes foi possível continuar a fazê-lo, quer pela conjuntura colectiva sobre a qual trabalhavam, quer pela acção directa de organizações do outro lado, quer pelo próprio conteúdo energético e vibratório que VJC entretanto adquiriu.
Essa conjugação de factores conduziu à perda de contacto que se registou até agora e as informações que tivemos sobre este caso surgiram através dum elemento que terminou o seu período de estadia evolutiva no Terreno e que o conheceu, transmitindo-as à nossa congénere, que nos endereçou o caso por o conteúdo actual de VJC ser vibratóriamente mais coincidente com o nosso modus operandi filosófico.
Numa coisa estão eles absolutamente crentes. É que o potencial ainda lá está. Por isso a minha proposta de trabalharmos no sentido de o convertermos em nosso agente.
Essa nossa congénere não opera na Transcomunicação, mas ética e evolutivamente são absolutamente fidedignos e ao nosso nível. Creio até, que em determinados aspectos, teremos muito a aprender com eles.
Perante a expressão de Tomás, o Director interrogou:
- O que esperava Agente Rasteador Sénior Tomás? Que fossemos os melhores em tudo? Nem pensar. Em cada plano evolutivo não há melhores nem piores. Há diferentes linhas. Mas todos estamos a aprender constantemente e com todos. Até com os nossos opositores, pelo menos o que não devemos seguir nem fazer. – Concluiu.
O Director levantando-se novamente da cadeira foi até ao lado direito da sala e carregando num botão de comando, discretamente situado na parede, fez surgir uma abertura nesta, que revelou um armário arquivo contendo diverso material informativo. De lá retirou uma peça, que fazia lembrar uma disquete semelhante às que são utilizadas nos nossos computadores, mas de dimensões menores.
Dirigindo-se novamente para a mesa de trabalho, sentou-se e esticando o braço direito entregou a disquete a Tomás, dizendo:
- Neste Info está contido todo o conjunto de informações, que foi possível recolher até agora, sobre este dossier. Quero que o estude, pois o caso a partir de agora é seu.
Tomás pegando no Info levantou-se e perguntou:
- Mais alguma coisa Director?
- Quanto à sua pergunta de à bocado. A sua persistência na localização de VJC chamou a atenção de todos. A vontade de resolver o caso estava já presente. Faltavam um objectivo concreto e os meios.
Qual a primeira condição para que você alcance a meta? A aceitação do objectivo que lhe proponho, que não é fácil, mas é possível. Quanto aos meios, você é que me vai dizer o que precisa. – Parou por uns momentos a ver qual a reacção de Tomás e depois: - Por agora não há mais nada. Amanhã esteja aqui à mesma hora para tirarmos quaisquer dúvidas que venham a surgir e se possível traga consigo um plano de trabalho. – Estendendo a mão para um aperto de despedida, acrescentou com aquele brilho que o caracterizava e que neste momento não procurava ocultar: - Sei que vai conseguir Tomás. Que o Criador esteja consigo.
Tomás, com um gesto de cabeça agradeceu e dirigiu-se para a porta. Abriu-a e saiu. Atravessou o hall e não viu Eve, pelo que se dirigiu para o elevador absorto nos seus pensamentos.
Era sempre assim. Quando uma missão era proposta, não havia maneira de recusar.
Claro que se alguém dissesse que não, era porque não se sentia capaz de a desempenhar e nada lhe aconteceria por isso. Não haveria qualquer tipo de represália, censura ou marginalização. A recusa seria simplesmente aceite e respeitados os motivos que o próprio poderia não querer divulgar. Bastaria que dissesse que não se sentia capaz de o fazer e pronto.
Só que também, quando uma missão era entregue, o Director já sabia que o fazia a alguém que era capaz de resolver o caso. Por isso raras eram as recusas. Por outro lado havia a persuasão proveniente do apoio incondicional e o calor nutritivo da enorme família que era o Plano Ético, mais o optimismo e sentido positivo das coisas que o Director emanava.
Tudo isto inspirava lealdade e dizer que não numa situação destas, era dizer que não a si mesmo. Era como dar à família o que não queria para si, quando sabia que a família não lho faria. No fundo estava a pôr-se fora de algo, em que o dar e receber faziam sentido.
Ninguém o censuraria se tivesse recusado. Seria tratado da mesma maneira e os amigos não se afastariam da sua sombra, como de algo inconveniente e amaldiçoado. O único óbice é que não saberia como resolver o problema com a sua consciência, a acusá-lo de por puro comodismo, não ter querido fazer por outro o que este estaria disposto a fazer por ele, mesmo sabendo que isso lhe traria incómodo, desconforto ou talvez até sofrimento. O próprio Director sairia do seu gabinete, para resolver a situação, se não encontrasse ninguém capaz de o fazer, num acto de abnegação, pois o que importava era tentar tirar alguém de apuros, por puro amor ao próximo.
Seria insuportável.
A porta do elevador exigiu: “Forneça-me a sua identificação, por favor”...


A Ressurreição era uma grande organização. Tinha começado quase do nada e em apenas vinte anos, crescera ao ponto de hoje, ter instalações centrais em todas as cidades do país e uma representação, em todas as freguesias de cada concelho.
Na Ressurreição as pessoas sentiam-se bem. Só os falhados e os fracos é que não conseguiam aproveitar todo o universo de oportunidades, que esta instituição proporcionava aos que se juntavam a ela.
Através do lema “Máximo de liberdade com o máximo de responsabilidade”, esta organização maravilhosa e próspera, adaptara-se aos novos tempos e assimilara todos os métodos operacionais que poderiam conduzir ao sucesso.
Dando total livre iniciativa aos seus elementos, estimulava uma feroz mas salutar competição entre todos, o que fazia com que ninguém fosse dono do lugar. Se o queria ter, tinha que o defender. Mas também tinha que se ser ambicioso. “Sempre a subir”, era a ordem. Quem não o queria fazer, não servia. Se não servia, também não beneficiava do extraordinário leque de oportunidades e remunerações, porque não o merecia.
Como é que dizia Napoleão? “Cada soldado traz o bastão de Marechal no seu bornal”. Se não era assim, era qualquer coisa de parecido, mas que se adaptava ao lema de Ressurreição. No fundo era o “Buscai e achareis” que os fracos e piegas apregoavam, mas não compreendiam nem praticavam e Maria Teresa, Tété para os amigos, estava disposta a chegar a Marechal.
O que é que lhe faltava para o conseguir? Ora vejamos:
Era obviamente inteligente. Uma qualidade que faltava à grande maioria dos seus colegas de organização. Não tinham a facilidade de expressão dela e acima de tudo não viam mais longe. Eram uns palermas, que se deixavam embrulhar com toda a facilidade. Falavam sem dizerem nada. Ela não. Só falava do trabalho feito.
Tinha experiência. Oh! Se tinha. Já cá andava desde o início e à parte umas dificuldadesitas pontuais, nunca tinha tido um tropeço grave. Todos os que se lhe tinham oposto, a todos tinha “feito a cama”. Pobres parvos. Só mereciam o que lhes tinha acontecido.
Quanto à figura. Orgulhava-se dela. Alguns dos patos bravos que tinha abatido, coitados..., tinham-se apaixonado e como não souberam manter a cabeça fria... Alguns eram uma pena, porque eram uns “Pães”.
Com o seu metro e sessenta e seis, de anca não demasiado larga mas bem visível, cintura de mulher feita, mas que lhe permitia usar sem dificuldade qualquer saia, vestido ou calça, que ela só vestia, confeccionadas por medida em modistas escolhidas por ela, que lhe punham o traseiro de nádegas firmes em evidência. Associadas às coxas firmes e elásticas, sem sinal de celulite nem estrias. As vénulas eram todas cuidadosamente eliminadas pelo cirurgião esteta da Ressurreição, através da nova tecnologia LASER vibratória. Podia usar mini-saia e traçar a perna com à vontade, pondo os pategos a babarem-se que nem uns cevados.
O andar era minuciosamente estudado e ensaiado. Com passada firme e movimento de ancas, que desde sempre tinha atraído a atenção dos homens e causado inveja às mulheres, em especial às mal casadas.
O tronco erecto, sem pneu nas ancas e ventre perfeitamente raso, era encimado por duas proeminências um pouco pequenas, mas que a escolha criteriosa de soutiens e blusas ajudavam a tornarem-se apetecíveis.
Este conjunto era presidido por um rosto de olhos largos, aos quais as lentes de contacto, davam um tom intermédio entre o cinzento e o verde. Nariz direito de asas ferinas, boca de lábios cheios e vermelhos, sob a qual estava um muito feminino queixo firme e determinado. Este rosto era emoldurado por cabelos lisos, dum louro fatal que ninguém imaginava que fossem pintados, a condizerem com o tom claro da pele e a expressão esfíngica que compunha e lhe fornecia a aura enigmática, que ao longo dos tempos se tinha revelado uma aliada irresistível.
Quem é que lhe dava os quarenta e um anos que tinha? O habitual eram uns tentadores trinta, atribuídos por pretendentes aos seus favores e invejados pelas outras pálidas figuras de mulher, que ela arrasava à sua passagem.
Assim era Maria Teresa, que acompanhada por mais dois elementos da Ressurreição, acabavam de entrar nas instalações centrais, que coordenavam os trabalhos da organização na cidade do Porto.
- Identificação? – exigiu em tom seco o recepcionista a Mota, um dos companheiros de Maria Teresa.
Mota, um sujeito de estatura mediana, com aparência de cerca de quarenta e cinco anos, estava num começo de dia mau, precedido por uma noite em que tudo tinha corrido ao contrário. Fixou o olhar aborrecido no recepcionista, demonstrando não ter gostado do tom deste. Depois lentamente estendeu a sua cédula de identificação e ignorando a mão estendida, deixou cair a identificação sobre o tampo da secretária, soltando em tom de desprezo:
- Todos os dias a mesma coisa.
O recepcionista pegando na cédula, conferiu os dados com minúcia e depois estendendo o indicador da mão direita, pousou-o sobre o ecrã do monitor, que estava sobre a secretária. Da ranhura situada no lado esquerdo saiu uma etiqueta alaranjada, que colocou nas costas da cédula e com um olhar de satisfação maldosa entregou-a a Mota:
- Identificado. – Pronunciou, vincando bem as sílabas.
O recepcionista, tinha acabado de atingir dois alvos com um só disparo. Sabia que aquela etiqueta alaranjada, iria obrigar Mota a dar justificações aos seus superiores e ao mesmo tempo, mostrava-se zeloso perante o seu chefe de secção.
Mota que tinha consciência do mesmo, recolheu a cédula e provocou:
- Por seres tão bom, é que não deixas de ser cão de guarda.
O recepcionista com a mesma expressão de olhar retrucou:
- As suas palavras foram registadas por vibro-gravação. – E dirigindo-se aos outros dois: - O seguinte queira identificar-se, por favor. – Pediu com cortesia irónica.
A identificação de Maria Teresa e Juca, o outro companheiro desta, foi feita sem mais incidentes. Os três encaminharam-se para as escadas de acesso aos elevadores, que os conduziriam ao 11º andar da sede da Ressurreição e chegados a este, saíram do elevador e viraram à esquerda por um corredor largo, com várias portas de cada lado. Chegados a uma com o letreiro “Sector 345”, Mota, que liderava o trio, bateu e sem esperar por resposta, rodou o puxador e abriu a porta, entrando de seguida.
Encontravam-se numa sala com cerca de quinze metros de comprimento por doze de largura, na qual estavam vinte e cinco cadeiras dispostas em cinco filas de cinco, colocadas em frente a um estrado com quinze centímetros de altura, onde se via uma pequena mesa, uma cadeira por trás desta e um quadro de material de cor branca, na qual estavam escritos cinco nomes, entre os quais figurava o de Mota.
As cadeiras da pequena plateia estavam ocupadas por treze pessoas de ambos os sexos e de idades variadas, que em silêncio ouviam um homem alto e magro, trajado com um fato de executivo de tom azul midnight, camisa amarela clara e gravata azul do mesmo tom do fato. O homem tinha uma cabeleira farta, à frente da qual se viam duas entradas, a indiciarem o prenúncio duma calvície ainda longínqua, que conjugadas com a probóscide aquilina, as sobrancelhas espessas e de feitio circunflexo, mais a boca de lábios finos e direitos, faziam com que sugerisse um animal de presa requintado:
- ... Temos crescido de forma rápida e constante. – Dizia o orador: - Graças à Ressurreição, a sociedade hoje está diferente do que era há vinte anos atrás. Os falsos postulados duma solidariedade retrógrada e improdutiva quase foram eliminados. Actualmente as pessoas buscam o lucro e a mais valia, como forma de alcançar materialmente o bem estar e a satisfação pessoal, porque a Ressurreição as influencia a isso, mas continuam a existir grãos na engrenagem, que têm feito com que o nosso progresso não seja tão rápido como ambicionamos.
Esta é uma organização com “O” grande, meus senhores. Distingue-se de todas as outras por não falhar. Dá total liberdade a todos, mas exige que todos se responsabilizem totalmente, como contrapartida dessa liberdade. E o que é essa responsabilidade?... – Perguntou em tom retórico. Fez uma pequena pausa, como se esperasse uma resposta que não surgiu e continuou: - É não falhar nas missões que são entregues a cada um. É assumir um compromisso pessoal, sem desculpas esfarrapadas para cada vez que alguém não alcança os objectivos que lhe são propostos e isso nem sempre tem acontecido. – Disse em tom irritado.
Sublinhando as palavras com uma pancada do punho na mesa. Deu uns passos, percorrendo o estrado da direita para a esquerda em silêncio, como a fazer com que, a sua frustração ficasse bem gravada na mente dos seus ouvintes e de seguida, continuou:
- O Sector 345 distinguiu-se pelas altas taxas de eficiência dentro da Ressurreição. O Sector 345 é obra minha. É constituído por cinco Coordenadores de Grupo, que têm como objectivo influenciar grupos de opinião, de forma a extinguir todos os focos de resistência na sua área de jurisdição. Para isso tem que ser disciplinado. Então porque é que às nove horas da manhã, ainda não estão em meu poder os relatórios de todos os meus Coordenadores? – Virando-se para Mota disparou: - Mota, estas são horas de se apresentar ao serviço? – Sem esperar pela resposta, voltou a bombardear: - Só vejo dois elementos do seu grupo, onde estão os outros? Os seus relatórios?
Mota em voz rouca:
- Tenho-os em meu poder
- Porque é que ainda estão consigo?
- Porque não me foi possível entregá-los.
- “Porque não me foi possível entregá-los”, quê? – O “Quê” pronunciado com suavidade, soou a perigo.
Mota pálido respondeu:
- Porque não me foi possível entregá-los, Senhor Chefe de Sector.
- Porquê? – Insistiu este.
- Porque estive em campo até às sete da manhã, Senhor Chefe de Sector
- Isso não é atenuante. Enfim, mais uma desculpa esfarrapada. – Disse o Chefe de Sector. E com ironia: - Diga-nos. Em que é que esteve tão ocupado até tão tarde?
- Estive a controlar o caso Ermelinda, Senhor.
- E consegui-o?
- Ermelinda teve uma insónia, que nem com trinta miligramas de Diazepam, dormiu:
Isto pareceu apaziguar por momentos o humor do chefe, mas Maria Teresa que estivera calada, pronunciou na sua voz clara:
- Mas o objectivo não era impedi-la de ir ao centro controlado pelos Éticos?
- « Como é que esta gaja soube disto?» Pensou Mota. « Já me lixou. De certeza que me tem andado a vigiar. Estará feita com este tipo?»
Os pensamentos de Mota foram interrompidos pela voz do chefe:
- Boa questão Tété. Responda Mota.
- « Estou feito. Isto já vai de Tété. Não tenho hipóteses.» - Tentando aparentar segurança, Mota disse em voz tensa, que traiu o seu nervosismo: - Esse era o objectivo, mas na impossibilidade de o alcançar e usando a minha autonomia de Coordenador de Grupo, reviu-o e optei por uma estratégia de desgaste.
- Ai sim? E desde quando é que os Coordenadores de Grupo revêem objectivos sem comunicarem ao Chefe de Sector? - Perguntou Maria Teresa em tom pertensamente inocente.
- « É isso. Esta tipa está mais informada do que eu. Como é que eu deixei que isto acontecesse? Há quanto tempo dormirão juntos sem eu saber?» - Pensava Mota num frenesim desesperado.
- Bem observado. – Apoiou o Chefe de Sector. – Desde quando é que a autonomia dum Coordenador de Grupo vai até esse ponto? Vá. Diga-me Mota. – Exigiu
Mota aturdido com este ataque inesperado, não respondeu.
- Não sabe. – Concluiu o Chefe de Sector. E virando-se para os restantes presentes na sala: - Eis o exemplo acabado de como e porque não são atingidas metas. Desinformação, desleixo, numa palavra incompetência. – Dirigindo-se a Mota de dedo espetado em frente: - A sua autonomia de Coordenador de Grupo terminou. A partir de agora é Maria Teresa a Coordenadora de Grupo. – E dirigindo-se a todos: - O briefing terminou. Podem-se ir embora. Maria Teresa, não saia sem vir falar comigo ao meu gabinete.
Aliviados, os elementos presentes na reunião começaram-se a levantar, preparando-se para saírem o mais depressa possível, não fosse ele voltar atrás.
Mota, com ar aniquilado, foi o último a sair.

------------------------------------------------------------------APENAS UM ABRIR DE APETITE, quem desejar ler mais... VISITE O EXCELENTE BLOG, *CEU E INFERNO* e, leia aquilo
que escreve Aquele, que se gosta de auto-intitular, de *O TROGLODITA*!....

MEU QUERIDO *TROGLODITA* "DE POETA E DE LOUCO" E... DE TROGLODITA*, "TODOS TEMOS UM POUCO!"
_*XI-CORACAO*, Sua Heloisa.
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Agora, um pouco de Heloisa!

*DIVAGANDO*
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Divagacao em divagacao...
de palavra em palavra...
de pensamento em pensamento, gira o Tempo e se consomem meus dias (inutilidade e' a sensacao!). E, fazendo uma retrospectiva, eu atravesso o TEMPO em veloz correria e vou arrancar ao fundo da "caixa" que empacota as horas, arruma os minutos e segundos que envolvidos sao nas teias de aranha da memoria e, sopradas pelo po' da "Imaginacao", deixando um vestigio de "suor pegajoso" misturado ao po' que faz "do'na minha Alma"!

Com o espanador como arma da minha emocao, "ataco" a recordacao e abro a primeira "caixa", depois de fortes "assopradelas" e batidas de espanador: que bate com "Dor" no tampo da caixa selado, com o "lacre" da Vida, construida de palavras sonoras, e, "Frases Inodoras" para um Paragrafo inacabado!...

E... chorado e', o TEMPO passado; assim, arrumado em "caixinhas de estimacao", guardadas no "Sotao da Memoria", ou, na CAVE FRIA e humida da Desilusao! Ou, ainda, no "Bau" da heranca avoenga, deixando na hereditariedade da HERANCA, os Lacos (ja' descoloridos, desbotados) da Infancia!... os restos bem guardados em papel de seda e "caixinhas de veludo" ( carcomidos, esgacados, semi-rasgados... da TERNURA, do AFECTO, do AMOR, impossivel de recuperar, mesmo depois de uma boa limpeza, e, sacudidela vigorosa, para o PO' dissipar e, as TEIAS DE ARANHA DIZIMAR!!!.....................

Mas... o Amor do Passado, recheado do Afecto e da Ternura dos "Verdes Anos"_VERDES DE ESPERANCA_, rosados de Expectativa e de SONHO...que, era "Promessa de Vida",para a VIDA VIVENCIAR e, *DELA* desfrutar em PLENO, o PRAZER DE EXISTIR (Estar VivA)... de AMAR! e... em VALSAS de ENLEVO... no "Salao da Existencia" em Brancos Tules e Sedas, Voltear ao som da "Musica Divina" que e' a NATUREZA, em Rios Cristalinos e... INEBRIANTES VERSOS DE AMOR , de PAIXAO, em meu ouvido CICIAR!!!......................

.......Na tentativa de abrir a primeira "Caixa", coberta de um manto de poeira, de dias somados aos dias, dias contados a "Relogio de Sentir"... eu, receio, abrir a "CAIXA" e, ter de MENTIR a minha "Memoria", acumulada de sensacoes e emocoes; para nao ser compelida a fechar de novo, a "caixa", por dela apenas emergirem, tao so', as "Nao Queridas", as "Nao Desejadas", as "MAL-AVENTURADAS RECORDACOES"!!!!............

Assim, sentada no chao FRIO, da "Cave do Passado", eu volto, devagar...devagarinho...
a FECHAR A CAIXA e... me socorro da "Imaginacao" ou, do IMAGINARIO...para enfeitar, engalanar, de Lacos Azuis, Brancos,de todos os Rosas... e, dizer ao meu coracao, que Vicosas, Vaporosas, LINDAS E FRESCAS as minhas Recordacoes Sao... assim, Felizes, replectas de sensacoes, de Belos e Amplos HOrizontes:_SOIS BRILHANTES_!... Mares Suaves... de Ondulacao Macia e, Dolentemente Embaladora... ate', ao "tomar do sono reparador", reconfortante, onde o SONHO esteja presente e, diga, que a FELICIDADE, foi uma Constante e... VIVER, Valeu a Pena!!!!....
_VALEU_????????????????
....MELHOR, sera' nao ACORDAR,
para RESPOSTA nao ter que dar!

_O' LUA!
_O' ESTRELA!
_O' VENTO!
Nao me venham DESPERTAR!!!
_POR FAVOR, DEIXEM-ME *SONHAR*!
(Fim do 1. Sonho em retrospeccao!).

----------------------------------------H.
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*E, TEIMOSAMENTE,DE ESPERANCA VIVO ESPERANDO*
*********************************************

Vivo, hoje, Vivendo
A licao que a vida
Me vai ensinando!

Olhar e' preciso.
Entender o aviso
Os sinais, que as coisas
VIVAS
Ou Inanimadas
Nos pretendem transmitir.
E, saber ouvir
Os sons
do Mundo Habitado,
E,do nosso "Interior"!
De "Fantasmas Habitado"!...

_Preciso, e':
Os Sinais Aprender
E, sabe-los Ler,
Os Sons
Saber Escutar...
E, os "Medos"
Da nossa "Fria-Interna-Cave"
Saber Reconhecer
Saber Extirpar!...

Vivo, hoje, VIVENDO
A Licao que a VIDA
Me vai Ensinando!
E, quero ir cantando
Ao compasso do ritmo
Que a Melodia
Trazida p'lo Vento
Me ENSINA!

E... quero Dancar
Ouvindo um Passaro Cantar
Em tons "agudos e graves"
Acompanhados, p'lo bater das Asas
De quem aprende a Voar
E, CANCOES ao *SOL*
Quer ENTOAR!
E, Dancas a LUA
(Descalca)
Quer BAILAR!!!

E....
Vivo, hoje, VIVENDO
A Licao que a VIDA
Me vai ENSINANDO

E... dos TONS
DOS SONS
DAS CORES
Luminosas e Soturnas
Vou escrevendo a "Opera"
Escolhendo as Vozes
_OS CANTANTES_
"Os TENORES"
e, OS "BARITONOS"

Procuro o "Maestro"
Que, com MESTRIA
Conduza os "Tocadores"
E, espero, o "Compositor"
Que "alinhe, enfeite"
Com MELODIA
E... SABEDORIA...

"O LIBRETO DA OPERA"
E, em "Concerto Unissono"
_TODOS A UMA SO' VOZ_
Entoemos o "Clamor"
Em "arias" onde a Dor*
De passagem a "Sinfonia"!...

E... "RUFEM OS TAMBORES"
*O HINO DE ALEGRIA*
Culminando,
Em CORO CRESCENTE
_FREMENTE_
REJUBILANTE DE AMOR*!!!

_Banida seja, desse "navegar de Sons"
O Som, que a "DOR GRITA"!
E, seja chamado
_SEJA NO SEIO ACOLHIDO_,
O "TOM"
DO "SOM"
Que nas "Asas da Brisa"
Vem correndo...
E, se fica, em "mansas ondulacoes"
Banhando, de Morno, "Sol-Raio"...
_DE MAGIA_
Que o AMOR
Transmuta em
Angelicos e Cristalinos
COROS DE ALEGRIA!...

Caindo o "Pano"
Do ultimo ACTO
Da "Opera"
Representada pelos "TOCADORES"
"PELOS CANTADORES"
_PELOS MAESTROS E COMPOSITORES_,
Daquilo, que eu,
NAO QUERIA,
QUE FOSSE...

_A FARSA DE VIVER_

(Fechando-se o PANO
antes da FE' FENECER!)

VIVENDO,
VIVO,
HOJE,
A LICAO QUE, DA VIDA,
NAO FUI APRENDENDO

E...
NAO QUERO CONTINUAR
A
VIVER, HOJE, VIVENDO,
A LICAO QUE A VIDA
ME (nao) VAI ENSINANDO!!!....

E...
TEIMOSAMENTE
DE
ESPERANCA
vivo
ESPERANDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
-------------------------------------H>
Com um IMENSO ABRACO, vos digo que, TEIMOSAMENTE, "TEIMO" EM VOLTAR
E, VOSSA AMIZADE ESPERAR!
PORQUE, SEMPRE E, TEIMOSAMENTE,
EU, VOS CONTINUAREI A AMAR*!!!
..............................................................
Vossa Heloisa B.P.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~











Escrito por Heloísa às 3:49:00 da tarde.

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